Publicado 04 de Janeiro de 2018 - 13h39

Por Estadão Conteúdo

A disparada da inflação da indústria desde setembro de 2017 teve forte influência dos aumentos na atividade de refino de petróleo e produtos de álcool, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a evolução dos preços dos produtos na porta de fábrica, acumulava uma queda de 1,00% de janeiro a agosto de 2017. A taxa acumulada no ano saltou para 3,73% em novembro, o equivalente a um ganho de 4,73 pontos porcentuais em apenas três meses.

"Grande parte disso aí é o refino. Não só, porque a extrativa também ajudou, particularmente (a alta de) óleo bruto de petróleo", afirmou Alexandre Brandão, gerente do IPP na Coordenação de Indústria do IBGE.

De janeiro a novembro, os preços da atividade de refino subiram 17,76%, o equivalente a uma contribuição de 1,78 ponto porcentual ao IPP do período. Em novembro, os preços dos produtos de refino subiram 5,91%, o segundo maior resultado dentro da série histórica iniciada em janeiro de 2010. O aumento mais forte foi registrado em agosto deste ano, de 6,48%. "Refino tem aumentado bastante no último ano", disse Brandão.

Os aumentos têm relação com a nova política de reajuste de preços da Petrobrás nas refinarias, que agora acompanha a cotação do petróleo e derivados no mercado internacional. Em novembro, ficaram mais caros o óleo diesel, outros óleos combustíveis, gasolina automotiva, gás liquefeito de petróleo (GLP) e álcool etílico (que costuma acompanhar a movimentação de preços da gasolina).

A atividade de refino exerceu a maior pressão sobre o IPP do mês, seguida por outros produtos químicos e metalurgia. Esses últimos dois setores também foram impactados por altas de preços no mercado internacional. O câmbio também ajudou a motivar elevações de preços em outras atividades em novembro, como outros equipamentos de transportes (1,80%), papel e celulose (1,65%) e fumo (1,52%). "A alta do IPP tem um pouco do efeito do câmbio depreciado. O real caiu 2,1% ante o dólar em novembro", lembrou Brandão.

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