Publicado 03 de Janeiro de 2018 - 8h20

Por Estadão Conteúdo

A história da Alaúde remonta à 1997, quando ela começou a fazer produção editorial para terceiros, além de revistas e outros tipos de conteúdos. O primeiro livro com selo próprio, feito para livrarias, só foi publicado em 2004. De lá para cá, a editora fundada pelo paranaense Antonio Cestaro se tornou referência em livros sobre automobilismo e, mais recentemente, também sobre alimentação.

Ao longo dos anos, ela criou os selos Tordesilhas, para ficção literária, Tordesilhinhas, para literatura infantil, e Pavana, para infantojuvenil. Mas é o catálogo da Alaúde, que edita ainda obras sobre saúde (do corpo e da mente), que mantém a editora. Seus livros estão em livrarias tradicionais, onde foi registrado, em 2017, um crescimento de 16% no faturamento, e são vendidos também em bancas, restaurantes e por catálogo.

O best-seller da editora, aliás, é O Poder dos Sucos, com cerca de 720 mil exemplares comercializados no sistema porta a porta. Olhando apenas os números das livrarias, os títulos mais vendidos são o livro de colori O Jardim Encantado (135 mil), Contos de Imaginação e Mistério, de Edgar Allan Poe (73.200) e Supercérebro, de Deepak Chopra (61.500).

A reestruturação da Tordesilhas, agora, é uma tentativa de Antonio Cestaro, fundador e diretor-geral da casa, de tornar o selo criado em 2011 autossuficiente. "É impossível ter uma editora que só faça alta literatura e fechar a conta. Mantendo a qualidade editorial, vamos mesclar com uma literatura que trata de temas mais populares e aborda as questões que estão incomodando o mundo", diz Cestaro - ele, que passou pela gráfica do jornal O Estado de S. Paulo no início da carreira, é também escritor e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no ano passado, na categoria autor estreante com mais de 40 anos, com o romance Arco de Virar Réu.

E o que esperar da nova Tordesilhas? "Uma editora mais vigorosa e capacitada para buscar novos segmentos de atuação. Ela está vestindo uma roupa nova, menos formal e mais identificada com os grandes temas e as discussões que movem o mundo na atualidade. Sua atuação se amplia e abre espaços para a publicação de autores e personalidades reconhecidos pelos seus trabalhos, tanto na ficção como na não ficção", responde.

Toda essa movimentação foi iniciada num ano ainda crítico para o mercado editorial. Um ano "cansativo e difícil", nas palavras do editor. "O resultado é que o Brasil inteiro está ansioso para enxergar sinais seguros de que o país vai sair do atoleiro e retomar o crescimento - gerar empregos, normalizar o consumo e trazer novamente a esperança no futuro", diz. E por que mexer na estrutura num momento como esse? "A leitura que faço é que o momento é apropriado para investir, amadurecer projetos e se preparar para a retomada do crescimento. Fazer isso sem desprezar o risco, mas considerando que a falta de iniciativa e determinação pode também cobrar o seu preço ou, no mínimo, esfriar o negócio."

Cestaro conta que a editora passou pela crise de 2017 sem perder a capacidade produtiva. "Apesar da má visibilidade de médio e longo prazo sobre uma retomada consistente e duradoura da economia, alguns sinais positivos já permitem que se possa nutrir certo otimismo e trabalhar na viabilização de novas ideias, novos projetos", conclui.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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