Publicado 05 de Dezembro de 2017 - 5h30

Os brasileiros vivem hoje um momento crucial de sua história, quando o combate à corrupção assume a prioridade das transformações que se pretendem para a construção de uma nação livre deste quadro de políticos que representam o que há de mais repulsivo. Quando a sociedade poderia estar debatendo os caminhos e as perspectivas que podem se delinear a partir de uma nova eleição, gastam-se tempo, recursos e disposição para desmascarar as quadrilhas que se instalaram no poder e vêm causando prejuízos incontáveis, gozando da impunidade que lhes é garantida por bancas de advocacia mobilizadas por verdadeiras fortunas e um Judiciário que não consegue impor as merecidas penas.

Há um sentimento generalizado de que o combate à corrupção é uma prioridade para desfazer o esquema que está entranhado na vida política e partidária. Os brasileiros demonstram esgotamento diante de tantas denúncias e acusações, que não veem a hora de ver cumpridas as penas daqueles envolvidos nos desvios de recursos públicos em prejuízo de toda a nação. Ainda assim, não esmorece a esperança em ações decisivas da Justiça, como a operação Lava Jato, que se tornou emblemática nesta luta.

A procuradora-geral da República Raquel Dodge saiu de seu estilo discreto de atuação, que contrasta com seu desastrado antecessor Rodrigo Janot, e reafirmou sua disposição de manter o compromisso contra a corrupção, usando todos os instrumentos possíveis, como delação premiada, acordos de leniência, forças-tarefa e execução da pena após a segunda instância. A manifestação da procuradora veio a propósito da desconfiança de que poderia acontecer uma operação política para limitar o trabalho da Justiça. Demonstrando clareza de princípios, Dodge defendeu a manutenção do sistema de trabalho de investigação do Ministério Público Federal, para evitar “o duro golpe de perder o futuro promissor e ter de viver um presente marcado pela desonestidade e pela desconfiança”.

É preciso tempo para avaliar tais intenções, como é forçoso reconhecer a oportunidade de deixar claras as intenções da Justiça em relação à corrupção. As decisões de alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e mesmo as intervenções desastradas de membros do Ministério Público e da própria PGR lançam dúvidas sobre os resultados futuros. A vigilância da sociedade e o compromisso daqueles realmente decididos a combater a corrupção até as consequências finais, ainda são o esteio da esperança de todos os brasileiros em relação a um futuro melhor.