Publicado 04 de Dezembro de 2017 - 5h30

O número de vítimas assassinadas em Campinas nos 10 primeiros meses deste ano voltou ao nível do mesmo período de 2010. Entre janeiro e outubro deste ano foram registradas 131 mortes violentas, enquanto há sete anos, em igual período, foram 138, maior número dos últimos sete anos, segundo os dados oficiais da Segurança Pública.

A Polícia Civil credita o aumento de assassinatos neste ano na cidade às três chacinas ocorridas em janeiro e outubro, com um total de 21 mortes. “As chacinas foram casos pontuais. São alguns casos que realmente despontaram e em que a polícia, tanto a Militar como a Civil, não têm como evitar. Casos que aconteceram em que pese a quantidade de vítimas e que restaram por ser esclarecidos com o posterior suicídio do autor, em dois casos”, disse o delegado titular do Setor de Homicídio e Proteção à Pessoa (SHPP), Rui Pegolo.

Das 131 mortes registradas na cidade neste ano, 19 foram decorrentes de intervenção policial. Ou seja, casos em que os criminosos trocam tiros seja com a Polícia Civil ou Militar e a Guarda Municipal. A maioria destes casos envolve confronto com a PM, após perseguições.

Ainda segundo a Polícia Civil, dos assassinatos registrados, 70% têm relação com o tráfico de drogas. O que sobra se divide em passional, incluindo aí os feminicídios - casos em que as mulheres são vítimas - acertos de contas de quadrilhas ou motivos fúteis, como briga em bar. Exemplo desta última situação aconteceu no dia 12 de novembro (que ainda não está na estatística divulgada pela Secretaria de Segurança Pública) em que um pedreiro de 52 anos matou o colega, um desempregado de 35 anos, após negá-lo o empréstimo de R$ 10. O crime aconteceu após os dois deixarem um bar no Jardim América, no distrito do Ouro Verde. O autor foi preso algumas horas depois, quando uma testemunhar apontou para a Polícia Militar algumas pessoas que estavam com a vítima. “Campinas mantém as estatísticas de outros anos que é uma média de 12 casos de homicídio por mês”, disse Pegolo.

Feminicídio

Do total de vítimas assassinadas em Campinas neste ano, 27 são mulheres. Deste montante ao menos 16 delas foram mortas cruelmente em razão de fúria do autor.

Esse tipo de crime é tipificado como feminicídio quando a vítima é morta em episódios de violência doméstica, discriminação ou questões de gênero.

Esclarecimento

Segundo Pegolo, a média de esclarecimentos de homicídios na cidade, com exceção das chacinas com o suicídio do autor e as intervenções policiais, fica entre 40% e 50% dos crimes registrados. “Esclarecer para a Polícia Civil não significa prender, mas apontar o autor, indiciar o autor. A prisão, às vezes, ocorre ou não. São muitos os homicidas que se apresentam na delegacia de polícia, apresenta a arma e não são presos por faltarem algumas dos requisitos da prisão preventiva, considerado como caso esclarecido”, disse o delegado.

Homicídios oscilaram entre os anos de 2011 e 2016

Entre 2011 e 2016 houve uma oscilação no número de homicídios em Campinas. Ao longo dos sete anos, 2016 foi o ano que teve o menor número de vítimas, com 92, seguido de 2015, com 108. Em 2014, 126 pessoas foram assassinadas na cidade, sendo que deste número 12 foram vítimas de uma chacina nos distritos do Ouro Verde e Campo Grande. Na época, cinco policiais militares foram presos suspeitos de matar um adolescente de 17 anos, que estava entre os mortos. (AR/AAN)

12 mortes no primeiro dia de 2017

A primeira chacina de 2017 foi registrada durante uma festa de Réveillon quando um técnico em laboratório de 46 anos invadiu a casa onde a ex-mulher comemorava o Ano Novo, no Jardim Proost Souza, e atirou contra 15 pessoas da mesma família e depois se matou. Onze vítimas morreram no local, incluindo a ex-mulher e o filho de 8 anos. Quatro foram socorridas a hospitais locais, mas uma das vítimas, uma idosa de 85 anos, tia da mulher, não resistiu aos ferimentos e morreu. As demais passaram por cirurgias. O autor, Sidnei Ramis de Araújo, carregava dez bombas presas ao corpo e brigava na Justiça pela guarda do filho. Na época, o crime teve repercussão nacional e chocou a todos. A casa onde aconteceu a chacina chegou a virar ponto de visitação.

A segunda chacina aconteceu no dia 29 de outubro, quando quatro jovens com idades entre 16 e 22 anos foram mortos por disparos de armas de fogo no Jardim Satélite Íris 2. Eles estavam em um baile funk e foram executados a 600 metros do local da festa. Ninguém foi preso e as armas dos crimes não foram encontradas.

A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de acerto de contas para a motivação das mortes. O caso é investigado pelo 11º Distrito Policial (DP) em conjunto com SHPP.

Doze horas depois, foi registrada mais uma chacina, a terceira do ano, com cinco vítimas e o sucídio do autor, o vigilante Antônio Ricardo Gallo, de 28 anos. A série de mortes começou no Jardim Conceição, no distrito de Sousas. Ricardo matou o pai, duas irmãs, um vizinho e o namorado da ex-namorada. Ele queria ficar com a casa da família e já tinha agredido o pai e uma das irmãs. (AR/AAN)