Publicado 01 de Dezembro de 2017 - 22h31

Por Carlos Rodrigues

Fernando Diniz:

Leandro Ferreira/AAN

Fernando Diniz: "O torcedor gosta de time jogando bem, com talento"

O que vai acontecer com o Guarani em 2018, ninguém sabe, mas dá para garantir que o início do ano será interessante. Graças ao comandante do time na próxima temporada. Apresentado oficialmente nesta sexta-feira (1º), Fernando Diniz traz consigo os conceitos e ideias que chamaram a atenção do futebol brasileiro quando ele estava à frente do Audax. Crítico das tendências 'resultadistas', o treinador confirmou que não abrirá mão do estilo no Bugre e reiterou sua filosofia de buscar as vitórias jogando bem.

O contrato do treinador com o clube será válido até o final do ano. Trata-se também de um retorno ao Brinco, onde ele passou, como jogador, em 1995. "Um prazer retornar para esse clube que foi muito importante quando eu era atleta. E a maneira de jogar dos times que eu dirijo tem tudo a ver com a história do Guarani, de Careca, Renato, João Paulo, Neto, depois Amoroso, Djalminha, Luizão. É um casamento que tem tudo para dar certo", disse o treinador, que traz o auxiliar Eduardo Barros e o preparador físico Wagner Bertelli.

A primeira entrevista se pautou na ideia de jogo. A proposta de domínio com muito toque de bola, preenchimento de espaços e troca constante de posições divide opiniões, mas isso não preocupa Diniz. "É uma marca minha, é aquilo que penso do futebol. Uma característica muito particular e que não tem como mudar. Só se eu fosse outra pessoa", afirmou. "Com o tempo, tenho feito adaptações e procurado alternativas para deixar o time mais competitivo, mas a filosofia vem comigo e talvez foi o maior chamariz para o Guarani me abrir as portas."

Nem o fato de estar num clube com pressão e que fez quatro trocas de técnico em 2017 preocupa Diniz. "Não sou um treinador resultadista. Tenho minhas convicções e acredito que quem trabalha dentro de suas convicções tem chance de dar resultado", garante. "No Brasil, a gente tem jogado igual, todo mundo de maneira reativa e sem procurar criar alternativas para favorecer a estética do jogo. Isso empobrece muito o jogo e é um conceito distorcido, porque desempenho e futebol vistoso estão associados a times vencedores."

Confiante no sucesso pelo Guarani, Diniz também acredita que o bom futebol fará o bugrino sentir orgulho da equipe. "O torcedor vai caminhar junto porque ele gosta do time jogando bem, com talento. O mais importante é a bola entrar, mas tem várias maneiras da bola entrar", avalia. "Quem não gosta de drible, bons passes, jogo coletivo? Claro que tem de levar ao resultado final, mas os conceitos estão próximos daquilo que o torcedor gosta. Ele não quer ver o time sendo massacrado e jogando por uma bola. Queremos que o torcedor nos apoie e tenha orgulho do time do Guarani."

Pouco tempo

Com a definição de Fernando Diniz como novo técnico, a sequência do planejamento do Guarani para 2018 prevê a montagem do elenco. E uma dúvida também foi comentada pelo treinador. Em cerca de um mês e meio — o Bugre estreia na Série A2 em 17 de janeiro — é possível formar uma equipe adaptada à forma de jogar do novo comandante? Ele garante que sim. 

"Tenho convicção de ter bastante coisa do conceito já assimilada na estreia. O tempo é curto, mas a adaptação dos princípios básicos não leva tempo", diz Diniz, não descartando buscar atletas que já trabalharam com ele e conhecem as metodologias. "Com jogadores adaptados ao estilo, podemos otimizar o tempo. Mas o importante é ter bons jogadores. Aqui no Guarani, temos bons jogadores que atuaram na Série B, alguns não foram bem, mas são recuperáveis. Vamos investir, dentro do orçamento do clube, para ter um elenco qualificado."

Com dois acessos na Série A2 no currículo — por Atlético Sorocaba e Audax —, o treinador não concorda com quem pensa que o campeonato é só força, e explica qual perfil de jogador lhe agrada. "Sempre fui na contramão desse discurso. Quando alguém oferecia um jogador e falava que me ajudaria na divisão, já era chancela para não vir trabalhar comigo", argumenta. "Sempre gostei de bons jogadores que momentaneamente poderiam estar em baixa, mas eu posso recuperar."

 

Escrito por:

Carlos Rodrigues