Publicado 04 de Dezembro de 2017 - 22h51

Por Delma Medeiros

Ton Crivelaro;

Divulgação

Ton Crivelaro; "Não há outras entidades, além da APTC, que agregam companhias profissionais de teatro"

O chamamento público feito pela Secretaria Municipal de Cultura a entidades representativas de companhias profissionais de teatro para integrarem a Comissão Organizadora da Campanha Municipal de Popularização de Teatro, que a partir de agora é coordenada pela pasta, foi considerado “deserto”. Em expediente publicado nesta segunda-feira (4) no Diário Oficial do Município (DOM), a Coordenadoria Setorial de Teatros e Auditórios informou que não acudiram interessados em participar da comissão.

Para Ton Crivelaro, presidente da Associação de Profissionais de Teatro de Campinas (APTC), que até este ano respondia pela organização da campanha, isso comprova que a Secretaria de Cultura está sozinha nessa empreitada.

“Essa publicação no DOM comprova o que eu sempre disse: que o secretário de Cultura estava mentindo quando dizia que assumiria a campanha - que por 33 anos foi organizada pela APTC - para abrir para outras entidades. Ele mentiu para o prefeito ou as entidades não querem participar de um roubo, que foi o que a Secretaria fez ao roubar a campanha da APTC”, afirma Crivelaro. “Não há outras entidades, além da APTC, que agregam companhias profissionais de teatro”, reforça.

Ney Carrasco, secretário de Cultura, por sua vez, reitera que a proposta da pasta foi democratizar o acesso aos teatros e à campanha. “É lamentável que nenhuma entidade tenha se inscrito, mas a campanha de popularização vai acontecer de qualquer maneira. A revisão na lei, passando a organização do evento para a Secretaria, foi para favorecer a classe teatral. Se a classe não quis participar desta vez é uma pena. Espero que participe nas próximas”, coloca Carrasco.

Contrários

De acordo com Cassiane Tomilhero, membro do Conselho Municipal de Cultura, o mesmo se posicionou contrário à forma como o projeto de lei foi apresentado e votado. “O Conselho considera que é preciso ampliar a discussão sobre a questão, pedimos que isso fosse feito antes da votação do PL e que esta não fosse em caráter de urgência, mas não fomos atendidos. A classe então optou por não participar da organização da campanha de 2018 como um ato político contra a forma como o processo se deu. É importante repensar a campanha, torná-la mais abrangente, envolver outras linguagens artísticas, mas é preciso um debate amplo com as entidades e grupos teatrais da cidade. Outras entidades têm interesse em participar, mas a forma como a mudança foi feita, a votação em regime de urgência impediu esse debate”, afirma. Em nota pública, o Conselho de Cultura declarou que não foi informado do conteúdo do projeto de lei enviado para a Câmara. “Nos posicionamos contrários ao regime de votação de urgência e favoráveis à abertura de amplo debate com a sociedade”, diz um trecho da nota.

Segundo Crivelaro, a APTC vai realizar sua Campanha de Popularização de Teatro Original, a sua 34ª. “Já a Secretaria de Cultura vai fazer sua primeira campanha pirata”, diz. Crivelaro explica que a campanha será realizada em espaços alternativos e terá abrangência regional. “Vários grupos de outras cidades nos procuraram para participar, oferecendo espaços. A campanha original vai acontecer.” A campanha da APTC ocorre no mesmo período da promovida pela Secretaria de Cultura, de 5 a 28 de janeiro.

Carrasco diz que a Secretaria está recebendo inscrições de grupos interessados em participar da campanha no Teatro Municipal José de Castro Mendes. As inscrições são feitas exclusivamente pela internet, no Portal Cultura (http://www.portalcultura.campinas.sp.gov.br/editais) e encerram no próximo dia 10. Cada proponente pode inscrever quatro espetáculos, sendo dois adultos e dois infantis.

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Delma Medeiros