Publicado 04 de Dezembro de 2017 - 21h59

Por Letícia Guimarães

Foi instituída uma comissão de avaliação e transição da gestão, com integrantes da administração municipal e de sindicatos que representam trabalhadores do setor de saúde pública

Dominique Torquato/AAN

Foi instituída uma comissão de avaliação e transição da gestão, com integrantes da administração municipal e de sindicatos que representam trabalhadores do setor de saúde pública

A Prefeitura de Campinas assumiu nesta segunda-feira (4) a gestão do Hospital Municipal Ouro Verde de maneira efetiva, após publicação no Diário Oficial do Município (DOM) do decreto que suspendeu o contrato com a Organização Social Vitale, que administrava a instituição. O documento instituiu também a comissão de avaliação e transição da gestão, entretanto, os nomes de quem irá compor o grupo ainda não foram divulgados e a assessoria de imprensa não informou prazo para que as de nomeação saiam no DOM.

Segundo o decreto, serão dois integrantes da Secretaria Municipal de Saúde e dois do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Uma comissão formada por um integrante de cada sindicato das categorias de saúde (Sindicato da Saúde de Campinas e Região (Sinsaúde), Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (Seesp) e Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed)), deverá cooperar com o grupo.

A equipe deverá, segundo o decreto, definir o plano de trabalho, proceder o levantamento de informações necessárias à assunção da gestão, convocar servidores municipais para participar dos trabalhos, solicitar das unidades responsáveis o levantamento de todos os elementos necessários à transição da gestão e autorizar o pagamento de despesas necessárias ao funcionamento do complexo hospitalar.

Ainda que a oficialização da transição tenha sido feita nesta segunda, reuniões para discutir a situação do Ouro Verde estão sendo feitas entre a Prefeitura e funcionários da área administrativa da Vitale desde sexta-feira, após a exposição de uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, que apura um esquema de corrupção envolvendo diretores da empresa.

“Essas reuniões são para fazer levantamentos, um histórico do que está acontecendo, validando dados e informações para fazermos o pagamento adequado aos funcionários, prestadores de serviço e fornecedores. É um processo exaustivo, pois são mais de 1.460 funcionários com carteira assinada e mais 170 prestadores de serviço como pessoas jurídicas”, afirmou Marcos Pimenta, presidente do Mário Gatti e, agora, responsável por coordenar a transição.

A questão dos suprimentos também está sendo observada. Na última quinta-feira foi criada a Rede Mário Gatti, que integra os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, além do Samu e as UPAs São José, Padre Anchieta e Campo Grande. O objetivo é fazer uma gestão unificada e, com isso, integrar as partes operacional, funcional e administrativa das unidades. Serão unificados os recursos humanos e a aquisição de insumos e serviços. A proposta precisará passar por avaliação na Câmara Municipal de Campinas, mas segundo Pimenta, de maneira informal já está sendo feita a integração entre Ouro Verde e Mário Gatti, além do compartilhamento de estoque.

CPI

Durante a sessão da Câmara de ontem à noite, os parlamentares de oposição tentaram instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde para apurar as denúncias de corrupção e superfaturamento no hospital, mas não conseguiram os 11 votos suficientes. Apenas Pedro Tourinho (PT), Carlão do PT (PT), Mariana Conti (PSOL), Gustavo Petta (PCdoB), Tenente Santini (PSD) e Marcelo Silva (PSD) se manifestaram a favor da investigação. Nelson Hossri (Podemos) fez menção de que apoiaria as investigações, mas recuou. Em protesto, um grupo de pessoas distribuiu pizza no plenário. 

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Letícia Guimarães