Publicado 02 de Dezembro de 2017 - 19h46

Por Carlãozinho Lemes

Maior Distrito de Campinas, com 240 mil habitantes, espalhados em 
bairros antigos e conhecidos, o Ouro Verde ainda cobra melhorias em sua
estrutura

Cedoc/RAC

Maior Distrito de Campinas, com 240 mil habitantes, espalhados em bairros antigos e conhecidos, o Ouro Verde ainda cobra melhorias em sua estrutura

O Ouro Verde encerra esta série de reportagens sobre os seis distritos de Campinas, que o Correio Popular veio publicando aos domingos. Ele é o maior distrito da cidade, com 240 mil habitantes, espalhados por 140 bairros, muitos bem conhecidos de toda a população, como os distritos industriais 1, 2, 3 4, 5 e 6; Jardim Novo Campos Elíseos; Jardim Santa Lúcia, entre outros.

Há, entretanto, bairros mais novos, como Parque Montreal, Jardim Melina e Núcleo Residencial Vila Vitória, que ainda carecem de infraestrutura adequada e oferta de serviços públicos essenciais. E onde, obviamente, a população tem muito a reclamar.

O paranaense Justino Barbosa Quirino, de 55 anos, vive no Ouro Verde há 20 anos. Vende espigas de milho verde nas praças. “O que tem dificultado muito a vida da gente, que vive desse tipo de bico é a pegação no pé da fiscalização, que quase não tem deixado a gente ganhar o sustento em paz”, reclama. “Eu era pedreiro, mas por causa de um acidente feio, tive que implantar platina no corpo inteiro e, por causa disso, hoje em dia não aguento nem erguer uma pá”, lamenta, enquanto exibe algumas das cicatrizes resultantes das cirurgias para colocação de próteses.

E Justino emenda com um argumento que é imediatamente aplaudido pelos outros vendedores ambulantes próximos: “Ao invés de perseguir gente que está tentando trabalhar com honestidade, as autoridades deveriam era investir contra essa bandidagem que infesta nossa região.”

Mostrando-se bem informado, o vendedor lembra: “Aqui, o que impera é a danada da impunidade. Onde já se viu essa história de arquivamento de 11 dos 12 processos sobre a chacina que rolou no comecinho de 2014? A Promotoria alegou falta de provas... como pode isso?”

O arquivamento realmente ocorreu neste ano. As mortes aconteceram em um intervalo de três horas em quatro bairros, entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2014. Os 12 homens tinham idades entre 17 e 30 anos. A série de crimes começou cerca de dez horas após um policial militar de 44 anos, de folga, ser morto com um tiro na cabeça ao reagir a um assalto quando pagava o abastecimento de seu carro em posto de combustível no Jardim Mercedes.

Em todas as execuções, os autores estavam encapuzados, sempre em dois carros, um de cor escura e outro de cor clara. Testemunhas relataram que alguns dos atiradores usavam roupas da Polícia Militar. Dentre as vítimas, seis tinham antecedentes por crimes como tráfico, homicídio, receptação e roubo de veículo. Ao menos 38 munições foram apreendidas de pistolas calibre 380 e 9mm.

Em novembro do ano passado, cinco ex-policiais militares foram condenados a seis anos de prisão pelo assassinato do adolescente Joab Gama das Neves, um dos mortos naquela noite de crimes em série — o caso teria dado início à chacina. Como ficaram dois anos em regime fechado, os PMs poderiam cumprir a pena em liberdade. Não houve solução para os outros casos.

A escalada da violência urbana até está motivando a 2ª Delegacia Seccional de Campinas a montar uma equipe com cinco investigadores para apurar exclusivamente homicídios no Ouro Verde e também Campo Grande. Em média, a 2ª Seccional registra de seis a sete homicídios por mês, mas em maio deste ano, a região registrou 12 dos 16 registrados na cidade. No mês de junho foram 3 dos 4 que tiveram na cidade. Segundo a Polícia Civil, 90% dos crimes são acertos de contas e em sua maioria por tráfico de drogas. “Por aqui, até andar de ônibus se tornou coisa de risco”, continuou Justino. “Há uns seis meses, não é que dois ônibus do transporte coletivo foram depredados? Sorte que os passageiros não feriram”, concluiu.

Escrito por:

Carlãozinho Lemes