Publicado 24 de Julho de 2016 - 13h52

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Fotos: Élcio

A Praça Roque Torce Filho, mais conhecida como das Cerejeiras, no bairro Dom Bosco, em Indaiatuba, se transformou em ponto turístico ontem, após reportagem na TV. Dezenas de pessoas de vários bairros da cidade e até de São Paulo foram no local conferir de perto a florada da cerejeira-do-japão. São cerca de 50 pés. Apesar de boa parte das flores já terem caído, ainda havia pés que estavam totalmente floridos. “É muito lindo. Eu moro na cidade e não sabia da existência desta praça”, disse a operadora de caixa Larissa Sanches, de 22 anos, que pediu para a amiga, a estudante de fotografia, Juliana Cristardo Rigonato, de 22 anos, registrar a visita dela com o marido e o casal de filhos – um menino de 3 anos e uma menina de sete meses – no local. “É para guardar de recordação. Nunca vi uma praça assim”, justificou.

Inaugurada em 2005, a praça é uma homenagem aos japoneses da cidade. Segundo moradores, foi a empresa automobilística Toyota quem patrocinou a construção do local, que era para receber um teatro. “Na época, os moradores rejeitaram o projeto de teatro e então a Prefeitura decidiu fazer uma praça. Foi feita uma espécie de colônia japonesa, mas em miniatura. Haviam casas, monumentos e até uma estátua no canto de cima da praça. Depois saiam uns caminhos, com luminárias pequenas, como aquelas colocadas em aeroportos, e em volta a plantação de cerejeira. Era muito lindo, mas o vandalismo acabou com tudo e restou apenas as cerejeiras”, contou o empresário Jorge Carlos Bahia, de 52 anos, que mora no bairro há 15 anos. “Acompanhei toda transformação desse local e é maravilhoso ver esse monte de gente visitando e se encantado com as cerejeiras. Poderia ser assim sempre e espero que essa praça receba mais cuidado”, completou.

As cerejeiras-do-japão se destacam pela cor intensa. Elas florescem no inverno e suas flores duram até 10 dias. Entretanto, segundo moradores de frente da praça, a florada já durava cerca de 15 dias. “Essa é a primeira vez que está tão linda assim. Acho que deve ser por conta da mudança do tempo neste ano”, disse o casal Rui e Isilda Rampato, de 62 e 60 anos respectivamente, que costuma levar o cachorro para passear no local.

“Moro em Indaiatuba desde 1982, sempre passo por aqui e via essas árvores, mas nunca imaginei que fosse cerejeira. Só soube quando vimos a reportagem na TV e nas redes sociais”, disse o aposentado José Camilo da Cruz, de 60 anos, que foi na praça acompanhado da mulher, Maria Barbosa da Silva Cruz, de 56 anos, e dos filhos, Andreia e Wilto, de 22 anos e 32 respectivamente.

No Japão, onde a árvore é originária, a florada de cerejeira representa a transitoriedade da vida. E os japoneses têm por hábito acompanhar o desabrochar das flores. Eles frequentam parques, santuários e templos para celebrar e contemplar a natureza. A prática de apreciar flores existe no país há muitos séculos e é conhecida como hanami.

A cerejeira mais antiga do Japão, e provavelmente a mais velha do planeta, chamada Yamataka Jindaizakura, fica no Templo Jissou, na cidade de Hokuto, em Yamanashi, província situada a cerca de 100 quilômetros a oeste da capital japonesa.

Ela é Patrimônio Natural do país e existe há pelo menos 2 mil anos. Sua floração ocorre sempre a partir da última semana de março, podendo variar de acordo com as condições climáticas. Durante a floração, seus longos galhos, que percorrem por uma extensa área no templo, são cuidadosamente amparados por varas para que não se quebrem.

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Alenita de Jesus