Publicado 22 de Julho de 2016 - 20h44

Por Inaê Miranda

FOTOS: Carlinhos

Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Quando a jovem dona de casa Cíntia Silva Gomes, de 22 anos, fez um apelo em reportagem no Correio por uma prótese para a perna esquerda, ela não imaginou que fosse mobilizar tanta gente e que o retorno viria tão rápido. O proprietário da Fübelle – ortopedia técnica – comoveu-se com a sua história e doará o componente. Cíntia já foi ontem à clínica, tirou as medidas e em até dois meses deve devolver as muletas emprestadas ao dono e sairá do Centro de Campinas, onde fica a clínica, caminhando com a nova perna. Ela foi à clínica acompanhada do filho do meio, o Kauã, de 3 anos, e da mãe, Eliane, que não conteve as lágrimas ao ver o sorriso no rosto da filha e a realização de um desejo.

Além da liberdade do movimento, Cíntia quer com a prótese poder carregar o filho caçula - de um ano e nove meses - no colo e ajudar a mãe nos trabalhos do dia a dia e com a reciclagem, que garante a renda da família. E foi justamente esse desejo que tocou o empresário Walter Mathias de Oliveira. “Fiquei muito sensibilizado de vê-la querendo carregar o filho no colo e ajudar a mãe”, afirmou. “Demonstrou que não é uma pessoa que está acomodada e que está pensando nas crianças, quer fazer a diferença para eles”, acrescentou o fisioterapeuta e gerente de relacionamento Alexandre Lapenna de Oliveira, filho de Walter.

Na clínica, foram tiradas as medidas do coto, que estava ralado em decorrência do atrito com a muleta. “Fazemos a avaliação das condições físicas, tiramos as medidas – peso, altura, idade, a mobilidade que ela tinha. Com essas medidas, ela entra nas características do próprio fabricante da prótese”, explicou Oliveira. Os componentes que serão usados na prótese de Cíntia virão da Islândia, onde está a segunda maior empresa de componentes ortopédicos do mundo. Ainda ontem, o técnico Robson Melli tirou o molde de gesso e o fisioterapeuta João Victor Pomim avaliou e tirou as medidas de Cíntia.

Entre uma sala e outra, Cíntia demonstrava ansiedade. “Será que já vou poder sair com ela?”, peguntou. Oliveira explicou que a jovem deverá voltar no dia 12 de agosto para fazer mais testes, vai passar por treino da marcha. Em dois ou três meses ela estará com a nova perna. Questionado pela reportagem sobre o valor da prótese, Oliveira preferiu não divulgar. Disse apenas que os valores hoje variam de R$ 10 a R$ 400 mil. “Estamos fazendo de coração. É uma contribuição que podemos dar e que para ela vai significar liberdade de movimento, vontade de sorrir de novo. Nada paga esse sorriso dela”, comentou Oliveira.

Em um abraço apertado Cíntia e a mãe, Eliane, de 47 anos, não contiveram a emoção. A mãe lembrou do sofrimento enfrentado pela filha. “O braço dela tem calos por causa da muleta, o joelho está machucado e ela também cai muito”, contou. Já Cíntia comentou o quanto a prótese iria transformar sua vida, após dois anos seguidos usando muletas. “Fiquei feliz. Era o que eu mais queria, ganhar uma prótese para cuidar das crianças melhor”, afirmou. Sem condições financeiras, a jovem vive de forma precária em um pequeno barraco de madeira no Jardim Rosália 1, em Campinas, com a mãe, dois dos três filho e dois irmãos.

Doações

Assim que Cíntia tornou pública sua história, a solidariedade veio de muitos lados. Empresas, médicos e leitores do Correio entraram em contato demonstrando interesse em ajudar com a prótese, cesta básica, roupas, como é o caso do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), que ofereceu doação de uma prótese e acompanhamento com assistente social e da Andbem, além de Organização Não Governamentais.

O caso

Cíntia perdeu parte da perna esquerda quando tinha 9 anos durante surfe em um trem. Na época ela morava ao lado da linha férrea no Parque Shalon e uma das brincadeiras da criançada do bairro era pular de vagão para vagão em movimento. No dia do acidente, ela não conseguiu pular o suficiente para atingir o outro vagão e caiu. A sandália ficou enroscada em um parafuso da dormente da linha e ela não conseguiu tirar o pé antes que a roda do trem a acertasse. Além de ter do joelho para baixo arrancado, parte da mão esquerda também foi decepada.

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Inaê Miranda