Publicado 22 de Julho de 2016 - 19h43

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: César Rodrigues

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O esqueleto de concreto de uma imponente construção localizada ao lado do Hospital Municipal de Pedreira revela a falta de planejamento e o descaso com o dinheiro público. Há 26 anos, as mulheres de Pedreira e região deveriam ganhar um Hospital da Mulher com estrutura de ponta, conforme prometido pelo então governador Luis Antônio Fleury. No entanto, depois de iniciada a obra parou em menos de dois anos e desde então os “leitos” transformaram-se em depósitos de máquinas e mobiliário, e até em estacionamento dos funcionários.

Município, Estado e a Fundação Beneficente Pedreira (Funbepe), que gere o local desde a década de 1990, não informaram o valor gasto e o porquê da interrupção das obras. Já moradores relatam que o projeto apresentado na época previa cerca de 100 leitos. Mas por razões que ninguém sabe explicar o projeto declinou, e alguns atribuem a falta de repasse de mais verba para a conclusão do hospital.

A reportagem do Correio Popular esteve na obra inacabada esta semana e constatou a precariedade da estrutura, parada há mais de 20 anos. Funcionários disseram que nada mudou desde então, e em uma das salas abandonadas foi transferida a lavanderia que ficava dentro do prédio principal do hospital. Além dessa mudança pontual, o que se observa através das janelas sem proteção é um “mar” de macas, computadores, estantes e aparelhos médicos abandonados sem utilização. Na parte superior, não há muretas ou paredes, e carros de funcionários e ambulâncias estacionam muitas vezes rente a uma altura de aproximadamente 4 metros.

O presidente do Funbepe na época da construção, Antonio Ganzarolli Filho disse que faltou verba para finalizar a construção. Porém, não disse o valor que foi gasto ou quantas mulheres seriam atendidas no hospital. “Aquilo lá é um abacaxi tremendo (gerir um hospital). O dinheiro nunca chega para a saúde”, resumiu Ganzarolli, que é vereador pelo PMDB atualmente. O político sempre teve bom relacionamento com Fleury, e a destinação da verba para o novo hospital, segundo fontes, teria sido por causa da ligação de ambos via PMDB.

Presidente da fundação entre 1997 e 1998, Carlos Laércio Zanini diz não se recordar dos trâmites do Hospital da Mulher. O assunto aparentemente não está entre os seus preferidos, e logo prefere encerrar a ligação. “Não sei de nada”, encerrou.

Na época, quem ocupava a pasta de Saúde do Estado era o atual secretário de Saúde de Campinas Carmino Antonio de Souza. A reportagem procurou o secretário na sexta-feira, mas a sua assessoria informou que ele está de férias. Recado foi deixado em sua caixa postal, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.

“Não passou de uma obra que poderia alavancar o eleitorado de Fleury na nossa região. Mas depois da propaganda da construção a obra não andou”, expôs um morador de Pedreira, que na época fez parte do conselho da Funbepe. Na Prefeitura, por telefone a assessoria de imprensa informou que o assunto é “muito antigo” e que não teria como ajudar com mais informações.

RTETRANCA: Estado ou município?

A atual presidente da Fundação Beneficente Pedreira, Sandra Ugo, informou por e-mail que não teria como informar os valores da obra e nem por que ela teria parado. “É uma obra de 1990, do governo do Estado à época Orestes Quércia; toda parte burocrática foi realizada por São Paulo, não tendo a participação do Município e da Funbepe”, justificou.

Segundo ela, a fundação pleiteia atualmente junto ao governo federal verba destinada à adaptação de um novo Pronto Socorro.

Quanto ao material depositado no esqueleto, a presidente garantiu que são materiais quebrados e que vão ser separados por lotes para Leilão de sucatas. Também apresentou cópias de comprovantes que mostram a dedetização do local.

A Secretaria Estadual de Saúde, por sua vez, informou apenas que aquela obra tratava-se de aplicação de recursos municipais. A pasta informou que o município não tem nenhuma pendência com o Estado.

Nas redes sociais, o prefeito de Pedreira Marcos Pollo (PT) escreveu que ficou assustado quando visitou o hospital logo que assumiu o Executivo. “Solicitei que realizassem todo levantamento necessário para dar baixa dos equipamentos e outros objetos acumulados. Esse processo não é rápido, porém foi sendo executado pelo responsável do setor de patrimônio, que conseguiu avançar muito”, divulgou.

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Adagoberto F. Baptista