Publicado 22 de Julho de 2016 - 19h23

ELEMENTO FRASE

“Tem que avisar a gente. Multar e fácil.” Afirmou o mecânico Luciano Morelli, 40 anos, morador do Jardim Garcia.

SAIBA MAIS

O valor da infração é de R$85,13 e soma 4 pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

A falta de sinalização sobre a obrigatoriedade do uso do farol baixo nas rodovias durante o dia tem induzido o condutor à infração. Passados 15 dias da vigência da lei, as rodovias que cruzam a área urbana de Campinas, como a Engenheiro Miguel Noel Nascentes Burnier e Professor Zeferino Vaz, não têm nenhum tipo de alerta sobre a nova lei. Nesses trechos, por onde trafegam diariamente milhares de veículos, se o motorista esquecer de ligar o farol, dificilmente será lembrado no percurso.

A reportagem do Correio Popular percorreu essas vias na manhã desta sexta- feira (22) e constatou que muitos motoristas sequer sabem que estão transitando em uma rodovia, enquanto outros desconhecem totalmente a nova lei. Esse conjunto de fatores leva muita gente a cometer infrações. “ E (o farol) não faz diferença alguma durante o dia. Acho que eu tomei multa porque, pra mim, aqui não é rodovia. Vivo mais dentro do meu carro do que na minha casa. É uma pegadinha. Um país que não é sério, tem o governo que merece. Eu devo ter tomado várias multas sem saber”, disse o vendedor Luiz Fernando Carvalho de moura, 54 anos, morador do bairro Botafogo.

A dona de casa Iraci Eliane Fernandes Machado, 51 anos, também não fazia ideia de que estava circulando por uma rodovia ao seguir pela Engenheiro Miguel Nascentes Burnier. “Eu não vi nenhuma placa alertando que aqui pode tomar multa. Estão alegando que é para aumentar a segurança, diminuir acidente. Eu nem minha família não vemos assim. É um propósito para arrancar dinheiro”, contou.

Alguns motoristas já se acostumaram com a nova lei e circulam com os faróis acesos em todo o percurso. Esse é o caso do cantor Vitor Miranda, de 22 anos. “Eu sempre gostei de usar, então pra mim não mudou muito. Mas não vi nenhuma sinalização não. Achei que a multa era só na pista”, afirmou.

A psicóloga Sabrina Gramola, 50 anos, ficou sabendo da mudança pela imprensa e diz que não viu qualquer aviso nas rodovias. “No começo foi uma surpresa. Eu vi uma reportagem na televisão, mas na rua não vi nada informando. Eu espero que não tenha tomado multa, porque eu saio de casa já com o farol aceso”, reclamou.

A Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) informou que a instalação de sinalização nas rodovias informando sobre a vigência da lei não é obrigatória. “As empresas do Programa de Concessão Rodoviária do Estado de São Paulo, fiscalizados e sob o gerenciamento da Artesp, a Polícia Rodoviária e o DER vêm orientando os motoristas sobre a nova legislação desde antes do início da vigência da lei. Essa orientação ocorreu nas praças de pedágios e através de mensagens exibidas nos painéis eletrônicos instalados em vários trechos dos 6,4 mil quilômetros de rodovias da malha concedida. A comunicação com o usuário sobre a legislação através dos painéis eletrônicos ainda é feita nas rodovias sob concessão. Além disso, a nova legislação foi amplamente divulgada pela grande imprensa, inclusive com atuação e entrevistas de especialistas dos referidos órgãos.”

Por meio de nota o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) afirmou que a regulamentação para criação de uma sinalização específica deverá partir do Departamento Nacional de Trânsito.

O especialista do Código de Trânsito Brasileiro, Diógenes Cortijo Costa, confirma que não há necessidade de informar sobre a nova lei, mas alerta que as concessionárias falham ao sinalizar devidamente as rodovias. Segundo ele, as vias deveriam ser sinalizadas de uma forma melhor, para que o motorista saiba onde estão as rodovias nos trechos urbanos. “É igual usar farol ligado em túnel, a lei existe mas não é sinalizada.”

“Pra mim não está sendo bom não. Eu esqueço de ligar o farol. Eu não sabia que aqui é rodovia, não vi nada. É difícil. Ainda mais eu que trabalho todo dia com o carro, é complicado.” Contou o técnico de Instalação Flávio Eduardo Olímpio, 35 anos.