Publicado 22 de Julho de 2016 - 18h20

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Foto: Patrícia Domingues

“A meta da maioria dos jovens é chegar aos 30 anos de idade com R$ 1 milhão em patrimônio. Já eu quero chegar nessa idade com um milhão de pessoas impactada no meu projeto”, diz a estudante Majori Nascimento de 17 anos, estudante do 2º ano do Ensino Médio, da rede pública de Campinas.

A jovem desenvolve um projeto de contação de histórias para crianças carentes e é uma dos 10 brasileiros selecionados por um grupo de estudantes de Harvard, para receber um treinamento de uma semana na universidade. Mas o sonho da estudante se esbarra na falta de dinheiro. Ela precisa de R$ 12 mil para bancar as despesas com viagens, passaporte e outras.

Para angariar o montante, ela se inscreveu no site , no qual as pessoas podem contribuir com o que pode. O valor mínimo da doação é R$ 20. Majori tem 18 dias para arrecadar o fundo, já que o site estabeleceu o prazo de 30 dias para a arrecadação. Até ontem, ela tinha conseguido R$ 1,2 mil. “Eu gostaria muito de ir neste curso, pois vai me ajudar a melhorar o meu projeto. O meu desejo é mudar a realidade da nossa cultura, pois atualmente o brasileiro lê muito pouco. Temos que aprender e gostar de ler desde criança e o contação de história incentiva as crianças a lerem”, diz a adolescente.

Filha da faxineira Sônia, de 49 anos, e do aposentado por invalidez José Gomes, de 61 anos, e filha caçula de dois irmãos, a jovem sempre estudou na rede pública. Sua incentivadora, Vânia Furtado, foi professora nos primeiros anos do ensino fundamental da rede municipal de ensino. “Ela provocava a leitura e me ensinou o quanto é bom ler. Eu leio desde a fantasia ao didático. Aprendi muito e que quero passar isso para outras crianças”, diz. “A Marjori sempre se destacava nas leituras. Ela criava e contava histórias para os amigos”, comenta Vânia, que também foi uma contadora de história.

Em 2014 a jovem participou de um curso de nove meses na Academia Educar. Ela aprendeu liderança, cidadania e protagonismo. A garota chegou a ser monitora do projeto Educar no ano passado. Foi durante o curso que ela desenvolveu o “Contar e Compartilhar”. “Vi nas redes sociais sobre o Brasilitas de Havard e escrevi o meu projeto. Para mim, a seleção é muito gratificante”, disse Marjori que também tem que se preocupar para ser selecionada no projeto Jovem Aprendiz, para conseguir um emprego para ajudar em casa.

Como não tem condições financeiras, a jovem estuda inglês em casa.

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Alenita de Jesus