Publicado 22 de Julho de 2016 - 18h01

Por Paulo Metzker

PAULO CAMPOS

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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FOTOS: ELCIO

A situação da invasão a uma área particular no Jardim Capivari, região Sudoeste de Campinas parece longe de se resolver. Desde que quarta-feira, quando a Guarda Municipal (GM) reintegrou o terreno invadido na última segunda-feira o clima segue tenso. Para tentar encontrar uma solução, uma comissão de seis pessoas compareceu ontem, junto da presença do vereador Carlão do PT na sede da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) para traçar um plano.

Segundo o Sehab, um dos pontos da reunião que foi acordado é que as famílias não poderão ficar na ocupação. Foi sugerido que deixe o local e se cadastrem no plano habitacional Cohab-Campinas. A reportagem foi até o local e conversou com Eunice Borges, uma das presentes na reunião e garantiu que a população que lá está não deixará o local até terminar todos os cadastros e dar sequencia no plano do Sehab que é promover um encontro entre o proprietário do terreno e os ocupantes. A ideia é saber se há interesse na negociação de compra e venda pelos ilegais.

A Prefeitura por meio da Coordenadoria Especial de Habitação Popular (Cehap), ligada ao Sehab. informou que está identificando os proprietários do terreno e se haverá uma possibilidade de acordo.

Borges falou que ficou acertado que caso haja algum novo pedido de reintegração de posse, a comissão será avisada antes e tentará um uma prorrogação no prazo até a reunião com o proprietário ser realizada.

Parte dos invasores, não estão acampados no local. Eles moram de aluguel na região. A ação deles no terreno é demarcar a área e fazer um cadastro informal com as famílias interessadas em dividir a gleba. Eles promete resistência caso a reunião não caminhe.

Atualmente apenas 10 famílias das 140 estão cadastradas. Para o órgão público, os interessados devem optar pelos planos Minha Casa Minha Vida e o Programa Casa Paulista. "Não acreditamos em sorteio. Não queremos entrar na fila. Queremos comprar esse terreno onde já foi usado para desmanche, estupros e está repleto de cobras e ratos", explicou Borges.

A reunião foi fruto da conversa realizada anteontem, entre os invasores e a Guarda Municipal e técnicos da Sehab. O acordo aconteceu após eles voltarem ao terreno na Rua André de Souza Campos parar remoção de pontaletes de madeiras e barracos e encontrar os invasores novamente. Devido a presença de muitas mulheres e crianças, o poder público preferiu evitar um confronto e criar uma comissão dos ocupantes para se reunir na sede do Sehab.

Outro ponto da reunião é que o movimento não aumentasse de tamanho. Para os invasores, a Administração Municipal e a GM não podiam ter realizado a reintegração de posse na última quarta-feira pois não tinham mandado para reintegrar a área. “Não é certo isso. Eles não têm mandado. Todo mundo aqui vive de aluguel. E como vai pagar sem emprego?”, reclama Borges.

Tanto a Prefeitura quanto a corporação declararam que a reintegração se baseou no Decreto 16.920, de janeiro de 2010, cujo objetivo é coibir assentamentos irregulares ou clandestinos, garantir o crescimento ordenado do Município e a preservação de áreas ambientais.

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Paulo Metzker