Publicado 22 de Julho de 2016 - 13h23

Por Adagoberto F. Baptista

Empresa alega "calote" em pagamento de excursão e abandona 33 pessoas em Campinas

Um motorista de uma empresa de fretamento turístico de Goiânia "abandonou" 33 passageiros da cidade em Campinas na madrugada desta sexta-feira, 22, depois de alegar calote no pagamento das passagens. O abandono teria sido uma ordem do gerente da empresa (ver mais abaixo).

As 33 pessoas são todas moradoras em Goiânia e vieram para a cidade participarem de um evento no Shopping Dom Pedro voltado para modelos mirins e adolescentes de 6 a 16 anos de idade, que vai de 20 a 23 de julho. Os passageiros registraram um boletim de ocorrência no Plantão da Segunda Delegacia Seccional de Polícia tipificado como exercício arbitrário das próprias razões.

Uma das representantes do grupo, a enfermeira Renata Cardoso Vieira, 33, disse que na quinta-feira à noite o motorista, identificado como Márcio Marques, alegou que o grupo devia ainda R$ 3 mil de um total de R$ 9 mil cobrados pela viagem de ida e volta e que após ser informado que não haveria quitação naquele dia, simplesmente ligou o ônibus e foi embora. "Ele nem avisou que iria sair. Quando ligamos para ele o ônibus já estava bem longe de Campinas", contou Renata.

A enfermeira disse hoje ao Correio que as mãe e as crianças estão desesperadas em Campinas e que todos continuam hospedados com 16 menores num hotel da rua Fernando Pompeu de Camargo, no Jardim do Trevo. "Só estamos aqui, contando apenas com o café da manhã, porque a hospedagem já foi incluída no valor da passagem de R$ 408,00 por pessoa", revelou.

Para irem embora após o encerramento do evento no shopping campineiro, Renata afirmou que seus colegas estão pedindo ajuda de parentes para poderem embarcar num ônibus comum da linha Goiânia-Campinas. Ela concluiu que o grupo está com pouco dinheiro e que está tendo que economizar em alimentos para poder voltar para a capital goiana.

A jornalista Nelsimar DAvid Moraes, da Rádio Brasil Central AM de Goiânia, que organizou a viagem, disse que o problema aconteceu porque dos 39 passageiros acordados só vieram 32 e a empresa está cobrando as passagens dos faltosos. "A empresa pediu R$ 3 mil e eu não tinha esse dinheiro, pedi um tempo e eles não me deram, resolveram abandonar a gente aqui. Agora vou discutir o caso na Justiça e estudar uma ação por danos morais".

Nelsimar disse ainda que está tendo que explicar o caso para várias mães que ficaram em Campinas e que o motorista da empresa deixou Campinas com destino a Goiânia levando mais de 60% do dinheiro das passagens, o que seria irregular. "Já comuniquei o fato ao Procon".

Outro lado

O gerente da empresa Rotattur , Pedro Silva, disse hoje ao Correio que a medida drástica -de deixar todos os passageiros em Campinas- foi tomada porque houve calote no pagamento e o descumprimento do contrato. Silva informou que o prazo concedido para o pagamento não foi cumprido e, assim, ele determinou que o motorista voltasse para Goiânia. "A organizadora não cumpriu os prazos, fez várias promessas, recebeu as passagens com antecedência". acusou. Ele disse ter considerado a medida de deixar o grupo na cidade paulista como extrema mas que pretende discutir o caso na Justiça. "Não vou mandar nenhum ônibus meu buscá-los".

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Adagoberto F. Baptista