Publicado 21 de Julho de 2016 - 20h55

Por Raquel Valli

Raquel Valli

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Foto: Dominique Toquarto

Moradores do distrito de Joaquim Egídio em Campinas estão preocupados com uma Área de Proteção Ambiental (AAP) que estaria sendo alvo de um loteamento irregular, corte de árvores, queimadas intencionais e aterro de entulho. Trata-se do Empreendimento Nova Cachoeira, que fica no Km 2,5 na Estrada Professora Lydia Abdala, próximo ao Bar da Cachoeira. O proprietário da área, Rodrigo Samu, já é réu em um processo na 6ª Vara Criminal de Campinas a respeito das irregularidades. Mas, os moradores de Joaquim Egídio temem que não sobre nada da AAP enquanto o processo corre Justiça. Por isso, pedem que a obra seja embargada e que cesse o aterramento. À reportagem, o proprietário do Empreendimento Cachoeira, Rodrigo Samu, admitiu que não tem licença para as obras.

O funcionário público estadual Ronaldo Manfredini, que tem um chalé em frente ao Nova Cachoeira, protocolou ontem um ofício na Prefeitura de Campinas informando flagrantes recentes. “Mesmo autuado pela Polícia Militar Ambiental, Rodrigo Samu continua vendendo lotes de terrenos para incautos que, ancorados em contratos não registrados, estão tocando aceleradamente as obras, despejando entulho em área protegida, provocando sérios danos ao meio ambiente”, afirma o documento.

Ainda de acordo com o ofício, “um laudo elaborado pela Polícia Científica descreve minuciosamente as evidências, ilustradas com imagens aéreas”. O parecer foi protocolado em 20 de abril deste ano e está anexado ao processo. A reportagem contatou a 6ª Vara Criminal de Campinas para saber qual é a situação atual do trâmite, mas a ação corre em segredo de Justiça.

“A Polícia esteve aqui, autuou a área. Comunicou a autuação ao 12° Distrito Policial (em Sousas). A delegacia fez o inquérito, que foi concluído e remetido à Justiça. Mas, enquanto o processo tramita, o proprietário continua destruindo. E o tempo é uma questão crucial. Ao lado da torre branca, havia uma árvore centenária, que a dona da fazenda, quando vendeu o terreno, pediu para preservar, mas que já foi cortada”, declara Manfredini

“Todo mundo que tem um pouco de bom senso, de amor à natureza, sente o que está acontecendo aqui. A gente sofreu falta de água. Isso não é brincadeira. Agora, estão cortando o morro. Isso é um problema sério. Eu tenho laços antigos aqui. Aprendi a nadar na Usina Jaguari. E é muito triste ver essa devastação”, completa o funcionário público.

A Prefeitura informou que, devido ao processo burocrático, a Secretaria de Urbanismo ainda não havia sido notificada ontem do protocolo de Manfredini. Informou ainda que o loteamento será embargado caso as irregularidades de ocupação do solo sejam constatadas, ou caso o proprietário não apresente as documentações exigidas.

Em relação à questão ambiental, a Secretaria do Verde Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informou que enviará fiscais ao local para checar as denúncias. “Caso seja confirmado o desmatamento e despejo de entulho irregulares, a legislação prevê multa e Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O objetivo do primeiro é punir o infrator; já o segundo, reparar o dano. As penalidades variam de acordo com o estrago promovido”, afirmou a coordenadora de fiscalização ambiental Heloisa Fava Fagundes.

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