Publicado 21 de Julho de 2016 - 20h32

Por Moara Semeghini

Moara Semeghini

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O Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) suspendeu o atendimento dos 240 pacientes com câncer, que seriam tratados hoje e durante a próxima semana, com o medicamento Gálio-67. O produto, utilizado em testes diagnósticos para dectar tumores, infecções e inflamações, faz parte dos 95% radiofármacos que são produzidos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e usados nos hospitais e clínicas do País. O motivo da suspensão é a greve decretada por técnicos e funcionários do órgão, na última segunda-feira (18).

Seis hospitais estaduais que haviam feito encomendas do insumo para a realização do exame na terça-feira (19) só receberam o material anteontem (20). Segundo o superintendente do Ipen, José Carlos Bressiani, o órgão atrasou o repasse de oito e dez doses do Flúor-18 – utilizado no diagnóstico de câncer pancreático – para o HC na última terça.

Bressiani afirmou que o motivo da paralisação foi um erro no projeto de lei que definia os reajustes salariais e gratificações de servidores públicos. No texto, que passou pelo Congresso em 2015 e foi aprovado pelo Senado na semana passada, não foi incluído o reajuste e as gratificações para as carreiras de técnico e auxiliar técnico do Ipen. “Estamos mobilizados e estudando um caminho para resolver o problema”, afirmou Bressiani. “Acredito que a falta do medicamento seja muito prejudicial para os pacientes que têm que remarcar as consultas. Muitas são marcadas pelo SUS”, disse.

O Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico especializado em oncologia e hematologia pediátrica, também recebe encomendas do Ipen. A presidente do hospiyal, Silvia Brandalise, afirmou que o prejuízo da falta de remédio ainda não foi grande. “Recebemos um ou dois novos casos de pacientes com câncer por dia no hospital. Desses, metade não precisa desses tratamentos”, explica a médica. Segundo ela, 30% dos pacientes da unidade de saúde tratam de leucemia, 25% tratam tumores cerebrais, e dos 45% restantes, apenas 20% utilizam os medicamentos que deixaram de ser repassados.

O Ipen funciona no campus da Universidade de São Paulo (USP), é vinculado ao governo do Estado de São Paulo, mas gerido e financiado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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