Publicado 21 de Julho de 2016 - 17h40

Por Adagoberto F. Baptista

Vacina contra a pólio

Saúde ainda aguarda diretrizes para campanha de vacinação

A Secretaria Municipal da Saúde informou que ainda aguarda diretrizes para o desenvolvimento da campanha de vacinação contra a poliomelite deste ano que foi adiada pelo Ministério da Saúde por causa da realização das Olimpíadas. De acordo com a pasta, a campanha tradicionalmente ocorre em agosto mas seu início foi programado para 19 de setembro, atendendo pedido das Secretarias Estaduais da Saúde. Até agora, segundo a pasta, nenhuma informação sobre os trabalhos foi fornecida oficialmente. Na campanha do ano passado, Campinas contou com 150 locais que funcionaram como postos de vacinação e no primeiro dia da campanha vacinou 34.4% do público-alvo ou 39.757 crianças. Por isso, a imunização teve que ser prorrogada até 10 de setembro. Os números totais do ano passado no município não foram divulgados pela pasta, que informou que só disponibilizaria o número nesta sexta-feira, 22. A expectativa, na época, era atingir 60 mil crianças.

Além da mudança da data este ano, o esquema de vacinação foi alterado porque só serão vacinadas as crianças entre seis meses e cinco anos de idade incompletos que não receberam as cinco doses da vacina.

Números fornecidos pela Secretaria Estadual da Saúde ao Correio mostram que, na campanha do ano passado, o Departamento Regional da Saúde de Campinas (DRS VII), composto por 42 cidades, vacinou 224.5 mil crianças ou 93% do total previsto. A meta era atingir 95% das crianças. Os números foram superiores ao do Estado, que atingiu cerca de 90% do público-alvo (2.2 milhões de doses aplicadas).

A assessoria da secretaria estadual relatou ainda que as metas de vacinação tanto em Campinas como na Regional podem ter sido atingidas porque os municípios têm autonomia para prosseguirem a vacinação, mesmo depois do encerramento das campanhas. "Esses dados ainda não foram inseridos no nosso sistema, inclusive o do município de Campinas", informou a assessoria de imprensa da secretaria.

Sem afetar o cronograma-

Segundo o Ministério da Saúde, a mudança no início da data não comprometerá a saúde das crianças nem os efeitos da dose da vacina aplicada em 20 de junho. O Ministério informou que a decisão tem como objetivo evitar uma sobrecarga no sistema de atenção básica, porta de entrada para os pacientes com suspeita de gripe, e facilitar que a vacinação ocorra num cenário mais tranquilo, atendendo ainda um pleito das Secretarias Estaduais da Saúde.

Nesta próxima campanha de imunização, apenas crianças entre seis meses e cinco anos de idade que não tenham completado o esquema vacinal contra a poliomelite serão vacinadas. Até a campanha do ano anterior, todos dessa faixa etária tomavam reforço anual da vacina, como forma de evitar que alguns ficassem sem a dose.

Desde o começo deste ano, o cronograma vacinal contra a pólio passou a ser em três doses da vacina injetável- aos 2, 4 e 6 meses, e mais duas doses de reforço com a vacina oral, conhecida como gotinha, aos 15 meses e aos 4 anos. Na campanha que começa em setembro deste ano, só deverão ser imunizadas as crianças que não tomaram as cinco doses.

No ano passado, o público alvo infantil recebia duas doses injetáveis, aos 2 meses e aos 4 meses de vida. Aos 6 meses, aos 15 meses e anualmente até os 5 anos de idade eram doses orais.

Em nota, o Ministério da Saúde ressaltou que a variação do mês da campanha não prejudica a imunização, pois a doença está erradicada no país desde 1990. Em Campinas, conforme o apurado pelo Correio, a poliomelite está erradicada desde 1.984, no estado de São Paulo desde 1988 (quando houve registro de um caso em Teodoro Sampaio), e o último caso da doença no país ocorreu em 1989 no estado da Paraíba.

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Adagoberto F. Baptista