Publicado 20 de Julho de 2016 - 21h00

Por Raquel Valli

Raquel Valli

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Edu Fortes

Elemento: “Não só a tocha, mas ter ter seleções treinando aqui é sentir a Olimpíada bem pertinho de nós”, afirmou a secretária de Turismo Alexandra Caprioli, referindo-se à Seleção Brasileira Feminina de Basquete; à Seleção Feminina de Vôlei da Argentina (vôlei) e às Seleções Masculina e Feminina de Badminton da Indonésia.

A chegada da Tocha Olímpica a Campinas mesclou alegria, de uma lado, e protesto, de outro. Cerca de 7 mil pessoas se aglomeram na Estação Cultura à espera do símbolo olímpico, que chegou às 17h47, com 47 minutos de atraso, vinda de Americana, após passar por Limeira e Rio Claro.

O primeiro atleta a carregá-la em Campinas foi a nadadora Fabiana Sugimori, que já conquistou duas medalhas de ouro Paraolimpícas. Ao todo, 77 atletas se revesaram por um percurso total de 15,4 quilômetros, passando pelos principais pontos da cidade, tais como os estádios do Guarani e da Ponte Preta, o Centro de Convivência Cultural e a Prefeitura. A pira foi acessa na Praça Arautos da Paz, onde passou a noite. Nesta quinta-feira (21), seguirá para Indaiatuba, Itu, Jundiaí e Osasco.

Cada um dos 77 atletas percorreu 200 metros com o símbolo olímpico em mãos até que ela chegasse à Praça Arautos da Paz, onde foi realizada a cerimônia de acendimento da chama, como ocorreu na Grécia. Na sequencia, houve um show com a Família Lima.

Entre os atletas que a revesaram, o jogador de vôlei Maurício Lima, bicampeão olímpico (Barcelona 1992 e Atenas 2004) e o alpinista Rodrigo Ranieri, que já escalou o Monte Everest três vezes. O último a revesá-la foi a ex-jogadora Mariléia dos Santos, mais conhecida como Michael Jackson, que integrou a Seleção Brasileira de Futebol Feminino por 12 anos, participando de uma Olimpíadas e duas Copas do Mundo – incluindo a de 1991, a primeira disputada pela seleção feminina.

A auxiliar de limpeza Neucimara Ferreira da Costa, de 41 anos, foi uma das primeiras a chegar à Estação Cultura. “Moro no Jardim Monte Cristo e cheguei às 15h30 para poder pegar esse lugar na frente. Estou muito feliz de estar aqui. Desde criança sou muito fã de esportes”.

Antes da tocha chegar, 60 atletas que Campinas que não puderam revesar a chama foram homenageados pela Prefeitura com a Medalha de Mérito Esportivo.

“Para a gente isso é gratificante, porque o nosso trabalho é reconhecido através dessa homenagem”, declarou Alexandre Cândido, dirigente da equipe de Basquete Cadeira de Rodas de Campinas, atual campeã paulista e vice-campeão brasileira da modalidade.

Protesto

Cerca de 50 pessoas, entre estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professores da rede pública e de movimentos sociais, fizeram um protesto pacífico em frente à Estação Cultura.

“As Olimpíadas são uma reedição do que a gente já viu na Copa (do Mundo de 2014). A gente não é contra o esporte, mas contra o superfaturamento das obras e contra todo o uso político que se faz nesses jogos. Enquanto a população segue sem saúde, sem educação, com taxas de desemprego cada vez maiores, esse governo golpista do Temer está atacando os direitos dos trabalhadores e da juventude”, afirmou o professor de sociologia Danilo Magrão. “A gente se organizou pelo Facebook e pelo WhatsApp para poder expressar a necessidade da população de ter serviços de melhor qualidade”, completou o docente.

Para a Prefeitura, as manifestações fazem parte do regime democrático. “Os protestos são naturais. Há uma conjuntura nacional de impeachment no País. E é um direito desse grupo de protestar”, disse o secretário de Esportes e Lazer Dário Saadi, uma das autoridades presentes que representaram o Poder executivo.

A segurança da Estação Cultura, onde chegou a tocha, e da Praça Arautos da Paz, onde ela dormiu, foram feitas pela Guarda Municipal. “Temos 180 homens envolvidos na operação”, informou o inspetor Márcio Frizarin, subcomandante da GM.

O revezamento é realizado pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Tradição

O revezamento da tocha remonta à Grécia Antiga. Uma das tradições era o envio de mensageiros às cidade para anunciar a d-ata de início dos Jogos. Junto com esse anúncio, era proclamada a trégua olímpica, quando guerras cessavam para garantir a participação dos atletas no evento. A suspensão dos conflitos começava um mês antes do início das competições e só terminava com o fim das Olimpíadas.

Na Era Moderna, o símbolo foi resgatado, representa a paz, a união e a amizade. O primeiro revezamento da modernidade foi em 1936. A tocha foi acessa em Olímpia, na Grécia, e levada a Berlim, na Alemanha, onde os jogos foram realizados.

No Brasil, o revezamento começou em 3 de maio, em Brasília. Ao todo, a chama percorrerá 329 cidades, nos 26 Estados do País, em 95 dias, para alcançar 90% da população. Passará por 20 mil quilômetros de estradas e por 10 mil milhas aéreas. A viagem termina em 5 de agosto, no Rio de Janeiro, na cerimônia de abertura dos Jogos. Na celebração, no Estádio do Maracanã, a Pira Olímpica será acessa.

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Raquel Valli