Publicado 20 de Julho de 2016 - 18h05

Por Adriana Leite e Silva

Fotos: Dominique Torquato

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O arrocho no bolso do consumidor e a mudança de hábito na hora de ir para cozinha tiveram impacto nas vendas de gás no mercado. Com os preços do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP) mais salgados desde o ano passado, quando a Petrobras aumentou o custo nas refinarias em 15%, o jeito para os comerciantes alavancarem as vendas é fazer promoções. O preço médio do botijão de 13 quilos em Campinas é de R$ 51,68 neste mês de julho. No ano passado, era de R$ 42,85. Mas nas portarias de muitas revendas é possível encontrar o produto por R$ 45,00 a R$ 50,00.

Os comerciantes afirmaram que reduziram as margens para garantir mais vendas. Os valores são balizados pela concorrência em cada região da cidade. Os consumidores que pesquisam garantem que é possível economizar e encontrar diferenças que chegam a quase R$ 10,00 no custo do botijão. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço mais em conta encontrado em Campinas é R$ 47,00 e o mais caro de R$ 62,00.

O gerente da Trazgaz, Braz Roberto Martinhão, afirmou que há quatro meses a empresa começou uma promoção na portaria das revendas com o botijão a R$ 50,00 para quem retira o produto no local. “O preço normal seria de R$ 60,00. Mas resolvemos dar descontos para aumentar o movimento. A estratégia deu certo e conseguimos alavancar as vendas”, comentou. Ele disse que o produto comercializado na rua pelos caminhões da empresa sai por R$ 60,00. A revenda também faz promoções pontuais nesse canal de vendas.

O gerente observou que o mercado sentiu a retração da economia e que também há um reflexo da mudança de hábitos dos consumidores. “A economia mais fraca impacta todos os setores. Há ainda uma alteração no comportamento dos consumidores. Antigamente, as pessoas faziam muitas refeições em casa. Tinha café da manhã, almoço, café da tarde, jantar. Hoje as pessoas têm menos tempo para ficar na cozinha e também comem muito fora de casa. O setor tem que se adaptar e buscar formas de elevar as vendas”, disse.

O gerente da Vilac Gás, Edson Buck, comentou que sempre fica de olho na concorrência para definir os preços na revenda. “Se formos analisar os custos, o valor do botijão deveria estar em R$ 70,00. Mas não há como comercializá-lo neste preço. Então, o caminho é fazer promoções e ganhar no volume vendido”, afirmou. Ele disse que sentiu uma queda no movimento em decorrência da crise econômica. O consumidor paga R$ 45,00 para a compra na portaria do depósito e R$ 50,00 para entrega na região onde fica a revenda.

Pesquisa

A dona de casa, Maria de Fátima Lima, contou que antes de comprar o gás sempre faz uma pesquisa por telefone nos depósitos perto de casa e também em revendas próximas da casa da filha dela. “Na última vez que comprei gás, a minha filha trouxe de um depósito perto da casa dela. A diferença em relação à minha casa era de R$ 10,00. Parece pouco, mas cada real economizado faz diferença no final do mês. Cozinho bastante em casa, pois tenho uma família grande”, disse. Ela comentou que o consumidor deve lembrar que a pesquisa de preço é o único caminho para economizar.

O aposentado, José Maria Silva, tinha o hábito de mandar entregar o gás em casa ou comprava do caminhão que passava na rua. “Retirar na porta do depósito é bem mais barato. Comecei a ver que havia promoção na porta dos depósitos e agora compro direto nos locais. Ainda acho caro R$ 50,00 no valor do botijão, mas é melhor do que pagar R$ 60,00”, disse.

Elemento

"Eu pechincho em tudo que compro e bato perna até achar o melhor preço. Também faço isso com o gás"

Maria de Fátima Lima, dona de casa

Escrito por:

Adriana Leite e Silva