Publicado 19 de Julho de 2016 - 20h43

Por Inaê Miranda

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Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Depois de passarem o final de semana sem energia elétrica e sem água por atrasos no pagamento da conta de luz, os moradores do condomínio Campo das Orquídeas, no Residencial Sírius, decidiram “reter” o vereador Paulo Galtério no local, na tarde de ontem, até que ele prestasse contas das finanças do residencial. O político atua como advogado da administradora de condomínios Tae, que pertence a sua mulher, Cleonice Galtério. O carro do vereador ficou preso na portaria, entre dois veículos, por cerca de quatro horas. Durante parte do tempo, Galtério aguardou que a situação se resolvesse de dentro da casa de uma idosa e só depois saiu para conversar com os condôminos. Os moradores ofereceram o celular para que ele chamasse a polícia, mas o político se esquivou e disse que o assunto poderia ser resolvido na conversa.

Quando decidiu sair da casa da senhora onde ficou “abrigado” por cerca de duas horas, Galtério enfrentou os questionamentos dos moradores, mas deu poucas respostas para eles. “Cadê as contas de luz atrasadas? Para terem cortado, não foi só uma conta que você deixou atrasar?”, questionou uma moradora. “Com quem está o cartão do banco”, perguntou outra. “O porteiro passou a noite toda no escuro porque vocês deixaram cortar a energia”, disse outro morador. “Você tem que dar conta do dinheiro do povo. Acha que o povo é besta, mas vai ter que dar conta de tudo. Renuncia, sai do cargo. Quem manda aqui são os moradores”, disse outro. Embora a empresa pertença à mulher de Galtério, é ele quem aparece lá para as reuniões com os moradores, conforme relataram.

Aos moradores Galtério disse que não sabiam o que estavam dizendo e que ele tinha tranquilidade no que estava falando. “Gente grande sabe o que faz. Tudo o que vocês estão falando, Deus está vendo. Vocês são grandes o suficiente”. Galtério afirmou que a energia foi cortada por falha da CPFL Paulista. “Sou advogado do condomínio e foi erro de corte da CPFL. Cortaram e não deram o aviso de corte. Vou entrar com processo contra a empresa”. Ele disse que existia apenas a conta de junho em atraso. Afirmou que o condomínio arrecadaria em média R$ 14 mil ao mês, mas metade dos moradores não paga. “Recebemos R$ 9 mil este mês porque 40% não paga. O que entra não dá para cobrir as despesas. Aqui, metade não paga e a dívida foi para justiça, por isso estão revoltados”, disse à reportagem.

As contas do Campo das Orquídeas vem sendo gerenciadas pela empresa Tae há cerca de cinco meses e os moradores afirmam que até então nunca tiveram a energia desligada por atrasos nas contas. Na última sexta-feira, a CPFL Paulista efetuou o corte, por consequência, os moradores ficaram sem água, já que sem eletricidade não era possível bombear a água para o reservatório. A energia só foi religada ontem. Durante os quatro dias, os transtornos foram muitos para os condôminos. “Acordei para trabalhar ontem e não tinha energia nem água para tomar banho. Tive que pegar ônibus e tomar banho na casa dos outros”, afirmou a moradora.

Má gestão

Os moradores reclamam do aumento no valor do condomínio durante a gestão da nova administradora. “Antigamente, a gente pagava R$ 30 e nunca atrasou o pagamento das contas, agora é R$ 100 e acontece isso”, disse Any Kate de Freitas. A parcela do apartamento varia de R$ 37 a R$ 50. “Não poderíamos pagar esse valor de condomínio porque a nossa renda é baixa”, acrescentou Érica Pires da Silva. “Ainda vem aqui e trata a gente com desrespeito. Disse que só pode reclamar quem paga o condomínio em dia. Ameaçou que ou quem estava devendo pagava ou ia perder o apartamento”, acrescentou. “Me desrespeitou. Estou desempregada e sem conseguir pagar o condomínio. Pedi a oportunidade de trabalhar aqui e ele bateu nas minhas costas e disse para eu dar os meus pulos”, reclamou Vera Lúcia Barzague.

Após quase quatro horas e um impasse, porque Galtério não apresentava a documentação exigida pelos moradores, ele foi embora. Antes disso, os próprios moradores ofereceram o celular para que acionasse a polícia. Ele disse que não chamaria porque era assunto que se resolveria na conversa. Em reunião no próximo dia 28, os moradores informaram que vão exigir a saída da administradora Tae. “Não queremos mais ele aqui, mas ainda queremos a prestação de contas do dinheiro que foi usado. Nas reuniões, ele não apresentava essas contas pra nós”, afirmou Tatiana Rodrigues.

Processos

Durante a apuração, o político tentou coagir a reportagem e entrar com processo “caso fossem ditas inverdades na matéria”. O advogado de Paulo Galtério, Alex Teixeira, deixou claro que o político estava lá como advogado da administradora do condomínio e não como vereador. Também disse que estudará se a empresa e o político entrarão com processo contra os moradores por cárcere privado.

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Inaê Miranda