Publicado 19 de Julho de 2016 - 15h55

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: Divulgação

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Após redução de 91% no número de casos de dengue um bairro com 5 mil habitantes, a região central de Piracicaba passou a receber desde ontem a soltura do mosquito transgênico, conhecidos como “Aedes aegypti do bem”. Onze bairros, totalizando uma área equivalente a 1.754 campos de futebol, receberão os mosquitos modificados para combater o transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. A expansão levará dois anos e contará com investimento de R$ 3,5 milhões.

Além da expansão para a região central, a Oxitec do Brasil, dona da tecnologia, irá prorrogar por mais um ano o projeto realizado desde abril de 2015 no bairro CECAP/Eldorado, onde o mosquito do bem conseguiu uma redução de 91% nos casos de dengue naquela localidade. Nesse bairro, de acordo com balanço divulgado na semana passada pela Prefeitura e empresa foram registrados 12 casos no ano-dengue 2015/2016 e 133 registros no período de 2014/2015.

O bairro São Judas foi o primeiro da região central a receber os transgênicos, nesta terça. “Na região central irá ajudar a proteger a saúde de pelo menos 60 mil pessoas. Após o São Judas, iremos começar o tratamento dos outros 10 bairros até o final de 2016. E esperamos obter os primeiros resultados após 3 a 6 meses de uso do Aedes do Bem”, afirmou Glen Slade, diretor da Oxitec do Brasil.

A empresa informou que a soltura acontece após mais de sete semanas de engajamento público em que técnicos da Oxitec, com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde, explicaram à população de Piracicaba o que é e como age o Aedes do bem. A campanha irá continuar nos próximos meses com spots de rádio, além dos outdoors e anúncios em jornais e das tendas em pontos de grande circulação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa CW7 no início de junho de 2016 aponta que 97,6% dos cidadãos piracicabanos apoiam o uso de ferramentas para combater a dengue, zika e chikungunya e que 88,3% apoiam o uso do Aedes do bem. “O projeto do Aedes do bem no CECAP/Eldorado é um sucesso, mas é importante lembrar que o Aedes do bem não trabalha sozinho. É fundamental a população continuar a eliminar criadouros, manter a casa limpa e seguir as orientações dos agentes para evitar a proliferação do transmissor da dengue”, pediu o secretário de Saúde Pedro Mello.

Mosquito - Os mosquitos geneticamente modificados não transmitem doenças nem picam as pessoas por serem machos. Eles se reproduzem com as fêmeas selvagens, mas carregam um gene que faz com que os filhotes morram antes de chegar à fase adulta.

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Adagoberto F. Baptista