Publicado 18 de Julho de 2016 - 16h20

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Fotos: César Alenita

Ao menos 60 caçambeiros de Campinas protestaram na manhã de ontem. Eles cruzaram os braços e fecharam a frente da Usina de Reciclagem de Material (URM), na Estrada do Mão Branca, por cerca de 4h e depois seguiram em carreata até a Prefeitura. Eles pedem fiscalização da Administração Pública aos clandestinos e a transferência da taxa de descarte para o cliente, pois afirmam que hoje são obrigados a pagar R$ 62,50 por caçamba o que encarece o serviço e gera uma concorrência desleal. O protesto foi encerrado por volta das 14h depois que um grupo foi recebido pelo secretário-chefe de gabinete Michel Ferreira.

Segundo o presidente da Associação dos Caçambeiros de Campinas (ACC), Djalma Coelho, o município tem capacidade para 90 empresas, mas atualmente teria cerca de 140 empresas atuando, com apenas 60 delas cadastradas e que pagam todos os impostos. Além da taxa de descarte, de acordo com Coelho, os caçambeiros também pagam uma taxa mensal de R$ 16,60, por caçamba, para a Setec, de uso de solo público. O único local cadastrado e autorizado pela Prefeitura para o descarte de material (entulhos) é a URM. “Por conta das taxas, o serviço fica caro. A locação de uma caçamba hoje sai por R$ 300. Como os clandestinos não pagam nada de imposto, cobram muito mais barato e sem contar que depositam o material em qualquer local”, disse Coelho.

De acordo com os caçambeiros, desde outubro do ano passado a ACC registrou uma queda de 30% nas locações de caçambas legalizadas. A redução também foi constatada no descarte na URM. Das 500 caçambas que frequentavam diariamente a usina, hoje são cerca de 150. “É claro que a crise econômica contribuiu para a queda no serviço, mas a maior parte está relacionada ao clandestino. Uma situação puxa a outra. Uma pessoa sem dinheiro, é claro que ela vai contratar o serviço mais em conta. E quem oferece o serviço mais barato? Os clandestinos”, disse o caçambeiro Edson Barreiro, de 54 anos, e 20 anos no ramo. “Tenho 25 caçambas registradas e pago cerca de R$ 400 por mês, além das taxas diárias e de outros impostos. Gostaríamos que a Prefeitura fiscalizasse com mais afinco e obrigasse as empresas clandestinas a se cadastrarem”, falou Barreiro.

O secretário disse que hoje a fiscalização é feita pelas administrações regionais e subprefeituras, que monitoram, inclusive, os 40 pontos de descarte irregular. Porém, será realizada uma intensificação do serviço. Além disso, Ferreira disse que a Prefeitura estudará o que pode ser feito para melhorar a situação da categoria.

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