Publicado 12 de Julho de 2016 - 17h20

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: Dominique

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUE

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O pequeno Antonio, de 2 anos, ficou na ponta dos pés para colocar na água os barquinhos que seu pai Silvio confeccionava. O aposentado João dizia que a atração de qualquer praça é a água jorrando, e a dona de casa Nicéia, olhando encantada para o chafariz do Largo do Pará, disse: “pode ser antigo, mas é uma das maravilhas de Campinas”. O fato é que muita gente ficou encantada com o funcionamento do histórico chafariz, reativado ontem e que há cerca de 15 anos estava sem uma gota d’água.

A reativação aconteceu após a Prefeitura instalar nova bomba que auxilia a água a jorrar e, posteriormente, retornar e assim reiniciar o ciclo. Em ferro fundido, fabricado pela então Companhia Mac Hardy Manufatureira e Importadora, em 1874, o chafariz formado por um pedestal com três torneiras recebeu nova tintura e manteve-se imponente no centro da praça de 10 mil metros quadrados, no coração de Campinas.

Com o veranico que elevou a temperatura na tarde de ontem, muitos passantes sentarem-se na mureta do chafariz para aproveitar os respingos d’água e depois seguir adiante. Casais tiravam fotos, dois garotos exaustos após andar de bicicleta se refrescavam e uma bela jovem tomava sorvete e interagia com Antonio, de 2 anos, enquanto seu pai, o bancário Sílvio Kuniyoshi, fabricava barquinhos de papel para o pequeno brincar no espelho d’água. “Para criança é um verdadeiro passa-tempo”, sorriu o pai.

Moradora próximo a praça, a dona de casa Nicéia do Carmo Marcos, de 77 anos, frequenta há 45 anos o largo, e considera aquele chafariz uma das principais maravilhas de Campinas. “Ele é simpático, e precisava ser reativado”, frisou. O jardineiro da Prefeitura informou que o monumento não estava ainda com a força total de água, pois senão a água jorraria para além do limite.

Conversando com o jardineiro, o aposentado João Vespasiano, de 73 anos, lamentou que ao longo dos anos muitos casais sumiram do Largo do Pará, tanto pelo abandono como pela desativação do chafariz. “Não tem coisa melhor do que ouvir o barulho da água. Água é vida. Acho que demorou para reativarem”, aponta. Vespesiano considera-se um guardião do largo, e em 13 anos morando na frente do espaço fez algumas reivindicações que frutificaram, como, por exemplo, a colocação de pedras portuguesas ao redor do coreto, onde antes era de terra.

O chafariz - Quando esse estava instalado no Largo do Rosário, a água utilizada vinha do Córrego Tanquinho, que nasce no Largo do Pará, desce pela Rua Barão de Jaguara, depois Irmã Serafina e Anchieta e deságua no Córrego do Serafim (Rua Orosimbo Maia). Ele foi levado ao Largo do Pará em 1933. Há pelo menos 15 anos esse chafariz está seco e em dezembro teve a sua parte superior embrulhada em plástico preto, para evitar acúmulo de água parada que transformasse o lugar em criadouro do mosquito Aedes aegypti.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista