Publicado 06 de Julho de 2016 - 20h01

Por Inaê Miranda

FOTOS: Edu Fortes

Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) prometem desocupar o prédio da reitoria às 5h de hoje. A decisão foi tomada após o reitor da universidade, José Tadeu Jorge, assinar um documento no qual se compromete a manter todos os pontos do acordo que já firmado e a manter um processo “democrático, transparente e público” durante eventuais apurações de possíveis excessos praticados por alunos, professores ou servidores durante o movimento de greve e ocupação. O acordo contou com a intermediação dos professores. Anteontem, a Justiça já tinha determinado a reintegração de posse do imóvel que deve ocorrer a qualquer momento caso os estudantes não saiam.

O prédio foi ocupado há quase dois meses – no dia 10 de maio. Nas duas últimas semanas as negociações começaram a avançar e, em uma carta-resposta, divulgada no dia 28 de junho, o reitor acolheu parcialmente as reivindicações dos estudantes, como a implantação de cotas étnico-raciais, a ampliação da moradia estudantil. A negociação em torno das punições e da discussão orçamentária não avançou e, anteontem, a reitoria voltou a pedir que a justiça autorizasse a reintegração de posse. O tenente-coronel da Polícia Militar, Marci Elber Rezende, confirmou que recebeu a ordem judicial e que a reintegração pode ser cumprida a qualquer momento.

Preocupados com o desfecho via policial, a Comissão de Mobilização Docente da Associação de Docentes da Unicamp (Adunicamp) interveio e propôs um acordo para a reitoria, no qual os pontos obtidos nas negociações serão mantidos e o acordo assinado imediatamente após a desocupação. Além disso, propuseram que no caso de apuração de eventuais excessos por parte dos docentes, estudantes ou funcionários durante o movimento grevista, estaria garantido o processo “democrático, transparente e público”, sob acompanhamento da Adunicamp e da Comissão de Mobilização Docente, focalizando a ética da greve. Essa medida valeria para todos os processos já em andamento. A reitoria aceitou o acordo, desde que houvesse a desocupação. Os alunos aceitaram deixar o prédio.

“A comissão de mobilização docente não quis de maneira alguma interferir na autonomia do movimento estudantil tampouco da reitoria. Acontece que a partir do momento que a decisão da reintegração estava a cargo da justiça, porque saiu da alçada da reitoria, e a partir do momento que estudantes aceitavam o acordo anterior mas divergiam do ponto relativo as punições, intervimos e fizemos a proposta para os dois lados”, afirmou o professor Sávio Cavalcante, do Departamento de Sociologia. Pelo acordo, se houver processos administrativos, eles precisam ser acompanhados pela comissão docente.

Segundo Cavalcante, os estudantes, professores e funcionários não podem ser punidos por terem agido de acordo com a ética dos movimentos grevistas. “Consideramos que existe uma legitimidade do movimento grevista e ela precisa ser reconhecida quando os casos forem apurados”, disse. Ele acrescentou que a universidade é um campo que deve ser efetivamente democrático. “Democracia não é processo fácil. Tem conflito e divergências. E recusamos a via policial e repressiva para resolver os impasses, por isso agimos da forma como agimos e estamos caminhando para solução pacífica e democrática da situação”.

O processo de desocupação foi decidido em plenária no final da tarde de ontem. Os estudantes decidiram limpar e organizar o prédio no período da noite e deixar o local às 5h. Neste horário, supostamente haveria a reintegração, mas a informação não foi confirmada pela Polícia Militar. Em nota, a Unicamp disse que foi comunicada no início da tarde de ontem sobre a decisão dos estudantes de desocuparem o prédio da Reitoria e que aguardava a liberação formal do local.

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