Publicado 19 de Julho de 2016 - 20h35

Por Das Agências

Christine Lagarde, presidente do FMI: números mais positivos para o Brasil

Drew Angerer/AFP

Christine Lagarde, presidente do FMI: números mais positivos para o Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou as previsões para a economia brasileira e agora prevê uma recessão menos severa este ano e a volta do crescimento já em 2017. A projeção é que o Produto Interno Bruto (PIB) do País tenha contração de 3,3% em 2016, menos do que o previsto em abril, (-3,8%). Para o ano que vem, a aposta agora é de expansão de 0,5%, ante crescimento zero projetado anteriormente.

É a primeira vez que o FMI melhora as previsões para o PIB do Brasil desde julho de 2012. Desde aquele ano, a cada novo relatório, os economistas da instituição vinham cortando as estimativas de crescimento do País, que sempre figurava na lista dos piores desempenhos econômicos entre os principais economias do mundo.

A avaliação do FMI é que os índices de confiança no País, que recuaram para mínimas históricas, parecem ter atingido o fundo do poço. Além disso, a contração do PIB no primeiro trimestre de 2016 foi mais suave que o previsto, de acordo com o relatório.

“A atividade no Brasil dá alguns sinais preliminares de moderação”, afirma o documento. No ano passado, a economia brasileira teve contração de 3,8%, o pior desempenho entre os maiores mercados emergentes. O PIB da Rússia, outro mercado em recessão, registrou queda de 3,7% e este ano deve cair 1,2%, também menos severo que o estimado anteriormente (-1,8%).

Apesar da melhora das previsões, o FMI ressalta que a incerteza política permanece no Brasil e coloca “nuvens” no cenário do País. Pelas projeções divulgadas ontem, o Fundo está um pouco mais pessimista sobre o País que o mercado financeiro brasileiro. O Boletim Focus do Banco Central, que reúne as médias das estimativas, prevê contração de 3,25% para o PIB do País este ano e avanço de 1,1% em 2017.

A América Latina, por conta da revisão para cima das previsões do Brasil, também teve as projeções do PIB melhoradas. Em 2016, a contração deve ficar em 0,4%, ante queda de 0,5% prevista no relatório de abril. Em 2017, a região deve voltar a crescer, expandindo 1,6%, ante alta de 1,5% do documento anterior.

Efeitos do Brexit

A espessa nuvem de incertezas gerada pela histórica decisão do Reino Unido de sair da União Europeia poderá ser um peso para o crescimento da economia mundial até 2017, alertou o FMI - um cenário que a acender as luzes de alarme e reduzir em 0,1 ponto percentual a previsão para o crescimento global deste ano e do próximo, em relação à expectativa anunciada em abril.

Agora, o FMI prevê que o crescimento global deste ano será de 3,1%, e em 2017 haveria uma pequena ampliação, para 3,4%. Para o FMI, a vitória dos que defendem a ruptura com a União Europeia “nublou as expectativas tanto para a economia britânica como para a zona do euro, e portanto o desempenho da economia global, já em meio meio a uma frágil recuperação, será prejudicado”.

A nova relação entre o Reino Unido e a UE poderá representar o surgimento de novas barreiras econômicas, com consequente impacto nos mercados financeiros, nos níveis de consumo e na confiança dos investidores. Para o FMI, esse quadro poderá representar para a economia britânica um preço alto, de aproximadamente 1% de seu crescimento para 2017, em um quadro marcado por um significativo enfraquecimento da demanda doméstica.

“A continuidade das incertezas deverá ter um impacto no consumo e especialmente nos investimentos”, apontou o FMI, que ressaltou a persistência de outros riscos, além do Brexit, para o desempenho da economia global. Entre esses fatores, estão a baixa rentabilidade dos bancos na Grécia, na Itália e em Portugal, além das contínuas turbulências em diversos mercados financeiros importantes.

Para o órgão, enquanto as perspectivas de curto prazo para a economia da China permanecem basicamente as mesmas, a forte dependência de crédito para impulsionar o crescimento poderia gerar instabilidade. Na África, as preocupações se concentram na Nigéria, a maior economia do Continente, que sofre com a contínua queda nos preços do petróleo, com a escassa produção de energia e com a queda da confiança dos investidores.

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