Publicado 12 de Julho de 2016 - 22h38

Por Estadão Conteudo

Eduardo Cunha diante da CCJ:

Lula Marques/Divulgação

Eduardo Cunha diante da CCJ: "Há investigados nesta sala"

Em defesa apresentada à Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, o deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) decidiu recorrer à consciência dos colegas. Se dizendo injustiçado no processo de cassação, disse nesta terça-feira que parlamentares indiciados pela Justiça podem sofrer o mesmo que ele. “Há investigados nesta sala”, disse. “Hoje, sou eu. É o efeito Orloff. Vocês, amanhã”, disse.

A referência do deputado, usada para alertar os colegas sobre o risco de decidirem contra seu recurso na comissão, vem de uma campanha da marca de vodca na década de 1980. “Eu sou você amanhã”, dizia a peça publicitária. O peemedebista reclama de ser tratado como um condenado, apesar de ter apenas acusações contra seu nome. “Com certeza absoluta, isso pode ser com qualquer um amanhã”, completou.

Constantemente acusado de atuar para atrasar seu processo de cassação na Câmara dos Deputados, Cunha disse que os membros do Conselho de Ética erravam propositalmente os procedimentos regimentais para depois reformar decisões e culpá-lo pelas manobras.

Entre as críticas, Cunha afirmou que o relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO), atua para ganhar atenção. “Típica personalidade de que tem que abrir a geladeira para acender a luz.”

Assim como seu advogado, o peemedebista argumentou que o fato de o processo ser contra seu nome influenciou os encaminhamentos. “Esta Casa não pode criar precedentes pela capa do processo”, afirmou. Durante a fala, a CCJ alcançou o quórum máximo de 66 deputados.

A sessão da CCJ para análise do recurso de Cunha foi interrompida devido ao início das votações em plenário. A reunião será retomada nesta quarta pela manhã. A expectativa é que o recurso do peemedebista seja votado ainda hoje, antes da escolha do novo presidente da Câmara.

Durante a sessão, a CCJ rejeitou um pedido do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para adiar por dez dias a análise do recurso de Cunha. Marun é membro da “tropa de choque” do deputado federal afastado. Foram 11 votos favoráveis ao recurso, 40 contrários e apenas uma abstenção. O placar foi interpretado como uma sinalização de quantos votos existem hoje na CCJ contra o peemedebista. A inscrição para discursos de mais parlamentares foi encerrada ontem. Trinta e seis deputados foram inscritos e foram registrados seis votos em separado.

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