Publicado 10 de Julho de 2016 - 14h18

Por Estadão Conteúdo

Venezuelanas foram à Cúcuta, na Colômbia, para comprar produtos básicos como arroz, açúcar, farinha, papel higiênico e azeite

Schneyder Mendoza/France Press

Venezuelanas foram à Cúcuta, na Colômbia, para comprar produtos básicos como arroz, açúcar, farinha, papel higiênico e azeite

Milhares de venezuelanos que moram na zona da fronteira cruzaram a pé, neste domingo (10), em direção à Colômbia para comprar, na cidade de Cúcuta, alimentos e remédios que escasseiam no seu país.

"Viemos comprar comida, porque não estamos conseguindo o básico" na Venezuela, disse à AFP Claudia Durán, uma das moradoras que cruzou a pé cerca de 700 metros para alcançar o território colombiano.

Depois do fechamento da fronteira ordenado há 11 meses, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, autorizou a abertura de uma passagem de pedestres na manhã deste domingo entre as pontes Simón Bolívar (Venezuela) e Francisco de Paula Santander (Colômbia).

Longas filas se formaram diante das alfândegas desde as 5h locais (6h em Brasília), à espera da abertura da passagem, às 6h. Muitas pessoas tinham dormido em veículos estacionados nas ruas próximas ao local.

As autoridades venezuelanas anunciaram que a passagem ficaria aberta durante 12 horas, embora algumas versões extraoficiais afirmem que esse período será de apenas oito horas.

Houve momentos de desespero durante o cruzamento da fronteira. Por volta das 7h, se formou uma aglomeração em frente aos postos alfandegários e a multidão se esquivou, em debandada, dos controles militares para avançar.

As autoridades retomaram rapidamente o controle da situação.

A passagem de pedestres foi aberta depois que, na última terça-feira (5), cerca de 500 mulheres forçaram o cruzamento da fronteira, rompendo um cordão militar, para comprar em Cúcuta produtos básicos como arroz, açúcar, farinha, papel higiênico e azeite.

A escassez atinge em média 80% dos alimentos básicos e remédios na Venezuela, afetada pela queda dos preços do petróleo, mas se agravou na zona limítrofe devido ao fechamento da fronteira decretado por Maduro em agosto de 2015, segundo organizações privadas.

Segundo cálculos da associação Fedecámaras, 70% dos comércios do lado venezuelano da fronteira fecharam, provocando a perda de 15 mil empregos.

Maduro afirma que a escassez é fruto de uma "guerra econômica" de "empresários de direita", que acusa de especulação e monopólio de produtos básicos para desestabilizar seu governo, criando mal-estar e desespero na população.

O presidente ordenou o fechamento da fronteira no ano passado, após um ataque de supostos paramilitares colombianos contra uma patrulha militar venezuelana, que deixou três feridos na cidade de San Antonio del Táchira, gerando tensões entre ambos os governos.

Na semana passada, os ministros da Defesa da Colômbia, Luis Carlos Villegas, e da Venezuela, Vladimir Padrino, retomaram as conversas sobre a segurança na área limítrofe, com a possibilidade de restabelecer a passagem na fronteira de 2.200 km.

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