Publicado 24 de Julho de 2016 - 5h00

Por Marita Siqueira

Bebidas alcoólicas, como vinhos, cervejas e cachaças, também são oferecidas pelos clubes: novidades em casa, todo mês

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Bebidas alcoólicas, como vinhos, cervejas e cachaças, também são oferecidas pelos clubes: novidades em casa, todo mês

Café, cerveja, vinho ou cachaça; produtos geeks, sensuais, para mães, bebês e bichinhos de estimação; livros, ingredientes para colocar em prática os dotes culinários e assim por diante. Em seus primeiros cinco anos de vida no Brasil, o segmento de clubes de assinatura cresceu e hoje abrange uma ampla gama de bens de consumo oferecidos. De acordo com a Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura, fundada em 2014, ainda não há dados precisos do setor, mas estima-se que haja 250 clubes atuantes no País, a maioria relacionada a bebidas alcoólicas, produtos de beleza e gastronomia. O valor médio do tíquete é de aproximadamente R$ 80 e os adeptos somam 400 mil.

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"Os clubes de assinatura de grande sucesso no mundo conseguem fazer exatamente isso: entregar a exclusividade e a conveniência de se receber algo em casa" -  Rodrigo Dantas, CEO da Vindi

"Os clubes de assinatura de grande sucesso no mundo conseguem fazer exatamente isso: entregar a exclusividade e a conveniência de se receber algo em casa" - Rodrigo Dantas, CEO da Vindi

Apesar de esses milhares de consumidores terem perfis diversos, conforme o nicho em que se cadastram, os clubes podem ser divididos em dois tipos: um focado na praticidade e o outro na curadoria. É isso o que aponta o sócio-fundador e presidente da associação Gabriel Ribeiro. “As pessoas que gostam de praticidade buscam a facilidade de receber os produtos em casa, sempre no mesmo período, com qualidade e preço médio de mercado. Já o foco na curadoria oferece experiências mais completas. Além do produto, o clube apresenta novidades, explica como manusear, fornece informações e conteúdo”, diz ele, que também é dono do BistroBox, voltado à gastronomia.

No sentido da curadoria, a ex-sócia do campineiro Quintal da Cachaça (recentemente comprado pela Phenix), Giuliana Wolf, destaca ainda o desejo dos clientes em se sentirem de fato pertencentes ao clube, como propunha o princípio do negócio. “Isso para que eles sintam afinidade com aquele assunto e queiram conhecer pessoas e conteúdos que atendam a esse interesse. Se um clube cria esse ambiente e essa sensação, já tem um marketing em prática, consegue aumentar a retenção dos clientes”, explica.

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"O clube de assinatura chegou aos Estados Unidos um pouco antes do que aqui, mas se desenvolveu mais rápido. São culturas e hábitos diferentes. Podemos crescer muito ainda" - Gabriel Ribeiro, presidente da Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura

"O clube de assinatura chegou aos Estados Unidos um pouco antes do que aqui, mas se desenvolveu mais rápido. São culturas e hábitos diferentes. Podemos crescer muito ainda" - Gabriel Ribeiro, presidente da Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura

Para ela, seria mais rentável aos clubes ter a loja com produtos associados e benefícios aos assinantes. “Em geral, o cliente quer uma loja agregada, em que ele tem benefícios para continuar comprando. Por exemplo: você é sócio de um clube de refrigerante e paga R$ 49,90 por mês, por isso também tem direito a comprar na loja online com 10% de desconto. Na minha visão, o clube fica muito interessante e o empreendedor tem um tíquete médio maior por cliente”, constata.

E a crise?

A crise econômica também chegou aos clubes de assinatura, com o mercado desacelerando no primeiro semestre deste ano, mas sem estagnar. “No meio do ano passado teve um boom de empreender muito grande. O primeiro semestre deste ano foi mais devagar, mas clubes novos continuam abrindo”, diz Ribeiro. Para ele, junto ao aumento no número de adeptos e de clubes notou-se uma melhoria de qualidade dos serviços, por causa da concorrência cada vez maior.

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Receber os produtos sempre no mesmo período, com qualidade e preço de acordo com o mercado é a vantagem de se associar a um clube

Receber os produtos sempre no mesmo período, com qualidade e preço de acordo com o mercado é a vantagem de se associar a um clube

De acordo com o CEO da Vindi, plataforma para pagamentos recorrentes e gestão de assinantes, Rodrigo Dantas, os clubes criados em 2011 abriram as portas para a validação desse modelo, enquanto os fundados dois anos depois potencializaram e ensinaram o público a consumir produtos e serviços dessa forma. “Os que estão vindo agora já têm a pegada de entender o modelo, os desafios e o potencial do mercado, o que é ótimo”, analisa.

Há três anos na área, Dantas avalia que as oportunidades para o setor são grandes. “Apesar de o Brasil ser um mercado menos maduro do que o norte-americano, tenho visto grandes cases nascerem em meio à crise. Basta cumprir uma regra importante: exclusividade, conveniência e comodidade”.

Você sabia?

Nos Estados Unidos, apenas o Dollar Shave Club tem 3,2 milhões de assinantes, oito vezes mais do que o total de adeptos em todo o Brasil. Na semana passada, o clube foi comprado pela Unilever por US$ 1 bilhão. Entre as novidades que devem aquecer esse mercado está a inauguração de um market place, lugar onde os usuários terão acesso a diversos clubes.

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Itens de beleza são alguns dos produtos oferecidos: estima-se que o País tenha 250 clubes atuantes

Itens de beleza são alguns dos produtos oferecidos: estima-se que o País tenha 250 clubes atuantes

Em alta!

No núcleo de novos empreendedores, o presidente da Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura, Gabriel Ribeiro, observa que muitos apostam em negócios relacionados aos hobbies, como é o caso do Nerds ao Cubo. Já entre os exemplos bem-sucedidos e com espaços concretizados estão WBeer, HopHunters, Wine, Hisnek, Glambox, Tag Experiências Literárias e Clube do Azeite.

Para fortalecer o setor

A Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura foi inaugurada em 2014 para difundir a cultura de assinaturas no Brasil. No início eram encontros de um grupo de empreendedores, que aos poucos foi crescendo. “Criei a BistroBox no início de 2014 e logo nos primeiros meses vi que o modelo tinha particularidades bem diferentes do mercado tradicional e eu não encontrava muitas informações. Ao mesmo tempo, via outros entrando para o setor, atuando em outros nichos, com as mesmas dificuldades. Resolvi unir forças para crescer o trabalho como um todo. Organizamos encontros entre fundadores para trocar as melhores práticas, fortalecendo e difundindo mais modelos e ajudando quem está começando”, conta. Segundo ele, está em processo uma forma de oficializar a filiação dos membros, mas até o momento não há registros formais.

 

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Escrito por:

Marita Siqueira