Publicado 24 de Julho de 2016 - 5h30

Estava eu lá, colocando capacete, luvas, óculos, fechando a jaqueta, quando noto um casal que se aproxima.

— Que moto bonita moço!, exclama a mulher.

— Meio sem jeito, sorrio e agradeço. O casal se afasta comentando sobre a moto.

Algumas horas depois estaciono num desses encontros que reúne toda a fauna motociclista de Campinas, digamos, uma fauna poderosa, de alta cilindrada e valor agregado.

Paro de mansinho e logo vem outro casal.

— Esse banco é original ou você estilizou?, pergunta ele.

— É original, respondi.

Ele se referia ao assento em formato de cela de couro caramelo, digamos, pouco convencional para uma motocicleta. Outro grupo se aproxima e começa a perguntar sobre o modelo.

— Ela só tem dois cilindros e 1.200 cilindradas? É um motor potente e compacto, comenta um. — E tem um estilo bonito mesmo, diz outro.

O objeto desta admiração é a lendária Indian Scout, uma típica motocicleta americana. A história desta clássica remonta a 1901, com o surgimento da Indian Motorcycle, a mais antiga fabricante de motocicletas dos Estados Unidos, e que teve papel importante no desenvolvimento de soluções inovadoras para a indústria motociclística. Foi ela que criou, por exemplo, a suspensão dianteira ajustável, partida elétrica, iluminação elétrica, suspensão traseira tipo “Swinging-arm”, acelerador rotativo no punho e a transmissão com duas velocidades.

Seus modelos mais populares são a Scout, fabricado antes da Segunda Guerra Mundial, e o Chief, produzido entre 1922 e 1953. A história da empresa Indian é repleta de altos e baixos e vale outra reportagem, mas é bom saber que a marca estava desativada desde 1953 e que voltou a ativa ao ser comprada, em 2011, pela Polaris, fabricante de quadriciclos e veículos off-road.

No Brasil, a Indian foi lançada oficialmente no Salão Duas Rodas em outubro passado. Durante a apresentação, Rodrigo Lourenço, diretor-geral da Polaris para a América do Sul, anunciou que a expectativa era comercializar 800 motos no primeiro ano de atuação no País, o que faz do brasileiro um dos maiores mercados da marca fora dos Estados Unidos. Segundo dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), de janeiro a maio a marca vendeu 307 unidades, sendo 197 da Scout. Além da Scout, também são montadas na fábrica em Manaus (AM) os modelos Chief Classic, Chief Vintage, Chieftain e a Roadmaster.

A principal concorrente da Indian é outra americana, a também lendária Harley-Davidson. A briga pelo mercado promete ser boa. E é com a Scout que a marca quer abrir seu espaço no Brasil. Sozinha, deverá responder por 50% das vendas no País. Em Campinas, ela é comercializada pelo grupo Triple Power, que em maio inaugurou uma loja no Shopping Iguatemi, a primeira da Indian Motorcycle fora de uma capital.