Publicado 23 de Julho de 2016 - 5h30

A dificuldade em encontrar uma nova chance no mercado formal de trabalho leva muitas pessoas a buscar formas alternativas de renda. Uma delas é a chamada economia solidária - que ganha impulso em Campinas.

A quantidade de pequenos empreendedores participando de feiras solidárias dobrou entre o ano passado e o primeiro semestre deste ano. Hoje, mais de 180 pessoas comercializam produtos em oito pontos da cidade - e o número deve aumentar até o final do ano com o acréscimo de mais quatro locais.

A geração de renda passa ainda pelas cooperativas de coleta seletiva de materiais e a produção em hortas comunitárias. Com a crise econômica, esses programas se transformaram em saídas, mesmo que temporárias, para quem não consegue uma recolocação no mercado.

O crescimento da procura pelos projetos, que contam com o apoio do governo municipal, começou no ano passado. Antes de se lançar nesse tipo de negócio, porém, os pequenos empreendedores precisam passar por uma qualificação.

O coordenador do Programa de Economia Solidária da Secretaria de Trabalho e Renda, Carlos Eduardo Depieri, afirmou que os programas de geração de renda ganharam impulso com a crise. “Cresceu muito a quantidade de pessoas que estão desempregadas e buscam uma nova forma de renda. Como o mercado formal de trabalho oferece poucas chances de recolocação, as pessoas encontram na economia solidária uma maneira de manter a renda familiar”, comentou.

Ele disse que são realizadas oito feiras fixas em Campinas. “Vamos aumentar para 12 feiras até o começo do próximo ano. As feiras acontecem de quarta-feira a domingo, dependendo da região. Temos feiras no Centro e também em bairros da periferia. Os empreendedores comercializam os produtos na região onde residem”, explicou.

Ele ressaltou que a estratégia estimula a economia local e oferece aos moradores da área uma fonte de renda. “No primeiro semestre de 2015, tínhamos 90 pessoas vendendo produtos e alimentos nas feiras. Atualmente, estamos com 180. E o número vai aumentar com as novas feiras. Os empreendedores também participam de eventos. Em dezembro, abrimos um espaço na Rua Barão de Jaguara que oferece uma área de exposição e venda de produtos”, disse.

Ele observou que a procura para entrar nas feiras é grande, mas existem critérios que devem ser obedecidos, como a proibição da venda de produtos industrializados. Depieri afirmou que os interessados passam por oficinas antes de iniciarem o trabalho nas feiras.

Recicláveis

O coordenador comentou que outro projeto que teve um aumento da procura foi o sistema de cooperativas de materiais recicláveis. “Temos 12 cooperativas em operação, com 278 cooperados. Registramos um aumento de 25% na quantidade de pessoas que foram incluídas nas cooperativas”, apontou.

Ele salientou que também houve busca para trabalho nas hortas comunitárias. “Temos duas hortas em Campinas onde trabalham 40 pessoas”. Outra iniciativa é a padaria comunitária, que funciona na Vila Olímpia.

Esperança

Desempregada há sete meses, a cozinheira Patricia Rodrigues dos Santos, de 37 anos, decidiu apostar na venda de empadas e tortas para sustentar a família.

“Cansei de procurar emprego e não conseguir nada. Tive a ideia de preparar empadas e vender de porta em porta no bairro onde eu moro. Logo depois fiquei sabendo sobre o programa de economia solidária e me candidatei. Foi a melhor decisão que tomei. A participação na feira da Praça da Concórdia, no Campo Grande, me ajuda a garantir o sustento da minha casa. E ainda consigo manter as vendas diretas nos comércios”, contou.

Ela disse que a venda dos salgados (empadas e tortas) é hoje a principal fonte de recursos da família. “Trabalho junto com meu irmão e minha cunhada”, contou.