Publicado 21 de Julho de 2016 - 5h30

O arrocho no bolso do consumidor e a mudança de hábito na hora de ir para cozinha tiveram impacto nas vendas de gás no mercado. Com os preços do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP) mais salgados desde o ano passado, quando a Petrobras aumentou o custo nas refinarias em 15%, o jeito para os comerciantes alavancarem as vendas é fazer promoções.

O preço médio do botijão de 13 quilos em Campinas é de R$ 51,68 neste mês de julho. No mesmo mês do ano passado, estava em R$ 42,85 - uma diferença de quase 20%. Mas nas portarias de muitas revendas, é possível encontrar o produto por valores menores, entre R$ 45,00 e R$ 50,00.

Os comerciantes afirmaram que reduziram as margens para garantir as vendas. Os valores são balizados pela concorrência em cada região da cidade. Assim, os consumidores que pesquisam garantem uma economia que pode chegar aos R$ 10,00 no valor do botijão.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço mais em conta encontrado em Campinas é R$ 47,00 e o mais caro de R$ 62,00. O gerente da Trazgaz, Braz Roberto Martinhão, afirmou que há quatro meses a empresa começou uma promoção na portaria das revendas com o botijão a R$ 50,00 para quem retira o produto no local.

“O preço normal seria de R$ 60,00, mas resolvemos dar desconto para aumentar o movimento. A estratégia deu certo e conseguimos alavancar as vendas”, comentou. Ele disse que o produto comercializado na rua pelos caminhões da empresa sai por R$ 60,00. A revenda também faz promoções pontuais nesse canal de vendas.

O gerente observou que o mercado sentiu a retração da economia e que também há um reflexo da mudança de hábito dos consumidores. “A economia mais fraca impacta todos os setores, e há uma alteração no comportamento dos consumidores. Se antes as pessoas faziam muitas refeições em casa, como café da manhã, almoço, café da tarde e jantar, hoje o tempo é mais curto e pouca gente tem tempo de ficar na cozinha o dia todo. Muitos comem fora de casa, e a gente tem que se adaptar e buscar formas de garantir as vendas”, disse.

O gerente da Vilac Gás, Edson Buck, comentou que sempre fica de olho na concorrência para definir os preços na revenda. “Se formos analisar os custos, o valor do botijão deveria estar em R$ 70,00. Mas não há como vender neste preço. Então, o caminho é fazer promoções e ganhar no volume”, afirmou.

Ele disse que também sentiu uma queda no movimento em decorrência da crise econômica. Na Vilac, o consumidor paga R$ 45,00 para compra feita na portaria do depósito e R$ 50,00 para entrega na região onde fica a revenda.

Pesquisa

A dona de casa Maria de Fátima Lima contou que antes de comprar o gás sempre faz uma pesquisa por telefone nos depósitos perto de casa e também em revendas próximas da casa de sua filha.

“Na última vez que comprei gás, a minha filha trouxe de um depósito perto da casa dela. A diferença em relação à minha casa era de R$ 10,00. Parece pouco, mas cada real economizado faz diferença no final do mês. Cozinho bastante em casa, pois tenho uma família grande”, disse.

Já o aposentado José Maria Silva mudou seus hábitos - ele costumava mandar entregar o gás em casa ou comprava dos revendedores que passavam pela sua rua.

“Só que retirar na porta do depósito é bem mais barato. E depois também comecei a ver que tem promoções para quem vai retirar o produto na revenda. Agora só compro direto nos próprios locais. Ainda acho R$ 50,00 pelo botijão muito caro, mas pelo menos é melhor do que pagar R$ 60,00”, disse.