Publicado 20 de Julho de 2016 - 5h30

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou as previsões para a economia brasileira e agora prevê uma recessão menos severa este ano e a volta do crescimento já em 2017. A projeção é que o Produto Interno Bruto (PIB) do País tenha contração de 3,3% em 2016, menos do que o previsto em abril, (-3,8%). Para o ano que vem, a aposta agora é de expansão de 0,5%, ante crescimento zero projetado anteriormente.É a primeira vez que o FMI melhora as previsões para o PIB do Brasil desde julho de 2012. Desde aquele ano, a cada novo relatório, os economistas da instituição vinham cortando as estimativas de crescimento do País, que sempre figurava na lista dos piores desempenhos econômicos entre os principais economias do mundo.A avaliação do FMI é que os índices de confiança no País, que recuaram para mínimas históricas, parecem ter atingido o fundo do poço. Além disso, a contração do PIB no primeiro trimestre de 2016 foi mais suave que o previsto, de acordo com o relatório.“A atividade no Brasil dá alguns sinais preliminares de moderação”, afirma o documento. No ano passado, a economia brasileira teve contração de 3,8%, o pior desempenho entre os maiores mercados emergentes. O PIB da Rússia, outro mercado em recessão, registrou queda de 3,7% e este ano deve cair 1,2%, também menos severo que o estimado anteriormente (-1,8%).Apesar da melhora das previsões, o FMI ressalta que a incerteza política permanece no Brasil e coloca “nuvens” no cenário do País. Pelas projeções divulgadas ontem, o Fundo está um pouco mais pessimista sobre o País que o mercado financeiro brasileiro. O Boletim Focus do Banco Central, que reúne as médias das estimativas, prevê contração de 3,25% para o PIB do País este ano e avanço de 1,1% em 2017.A América Latina, por conta da revisão para cima das previsões do Brasil, também teve as projeções do PIB melhoradas. Em 2016, a contração deve ficar em 0,4%, ante queda de 0,5% prevista no relatório de abril. Em 2017, a região deve voltar a crescer, expandindo 1,6%, ante alta de 1,5% do documento anterior. Efeitos do Brexit

A espessa nuvem de incertezas gerada pela histórica decisão do Reino Unido de sair da União Europeia poderá ser um peso para o crescimento da economia mundial até 2017, alertou o FMI - um cenário que a acender as luzes de alarme e reduzir em 0,1 ponto percentual a previsão para o crescimento global deste ano e do próximo, em relação à expectativa anunciada em abril.Agora, o FMI prevê que o crescimento global deste ano será de 3,1%, e em 2017 haveria uma pequena ampliação, para 3,4%. Para o FMI, a vitória dos que defendem a ruptura com a União Europeia “nublou as expectativas tanto para a economia britânica como para a zona do euro, e portanto o desempenho da economia global, já em meio meio a uma frágil recuperação, será prejudicado”.A nova relação entre o Reino Unido e a UE poderá representar o surgimento de novas barreiras econômicas, com consequente impacto nos mercados financeiros, nos níveis de consumo e na confiança dos investidores. Para o FMI, esse quadro poderá representar para a economia britânica um preço alto, de aproximadamente 1% de seu crescimento para 2017, em um quadro marcado por um significativo enfraquecimento da demanda doméstica.“A continuidade das incertezas deverá ter um impacto no consumo e especialmente nos investimentos”, apontou o FMI, que ressaltou a persistência de outros riscos, além do Brexit, para o desempenho da economia global. Entre esses fatores, estão a baixa rentabilidade dos bancos na Grécia, na Itália e em Portugal, além das contínuas turbulências em diversos mercados financeiros importantes.Para o órgão, enquanto as perspectivas de curto prazo para a economia da China permanecem basicamente as mesmas, a forte dependência de crédito para impulsionar o crescimento poderia gerar instabilidade. Na África, as preocupações se concentram na Nigéria, a maior economia do Continente, que sofre com a contínua queda nos preços do petróleo, com a escassa produção de energia e com a queda da confiança dos investidores. (Das agências)