Publicado 24 de Julho de 2016 - 19h05

O tom intimista do Versões continua o mesmo. Aliás, quase nada mudou no programa que volta ao canal Bis, com dez episódios inéditos, a partir do dia 3 de agosto, às 20h. No entanto, a ausência de novos elementos só ratifica que a proposta inicial do programa, de mostrar artistas interpretando ritmos diferentes do que estão habituados, deu certo. Dessa vez, Tiago Iorc toca Coldplay, Luiza Possi canta Michael Jackson, Dônica interpreta Beatles e Braza se dedica a Bob Marley. Enquanto Filipe Catto canta Cássia Eller, Suricato interpreta clássicos do sertanejo, Tiago Abravanel celebra Cazuza, Maglore toca Tim Maia e Flávio Renegado homenageia Jorge Ben Jor. “A primeira temporada foi um sucesso enorme. O que está acontecendo agora é que os artistas que viram o Versões na televisão começaram a se interessar em vir espontaneamente. Não precisamos mais ficar explicando como funciona”, entrega o diretor Pedro Secchin.No programa o convidado é livre para escolher o repertório que quer cantar e de que forma se apresentar no palco. Para o diretor, o seu trabalho é registrar esse encontro da melhor forma possível e fazer uma homenagem a esses nomes da música nacional e mundial que são lembrados por artistas de uma nova geração. “Aqui pode tudo. A gente que vai se adaptar para mostrar o repertório do artista do jeitinho do Versões. O importante é que deixou de ser encarado com um programa de cover e passou a ser visto como uma oportunidade de mostrar um outro lado”, garante Pedro.O desafio da banda Suricato após receber o convite, por exemplo, foi preparar a apresentação em um mês. Inicialmente, o grupo pensou em trazer sucessos do Barão Vermelho. Mas, depois de algum tempo, viu que fazer releituras de clássicos do sertanejo — como Almir Sater, Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo — se enquadrava melhor, já que o folk que a Suricato toca é equivalente ao sertanejo aqui no Brasil.“A cultura de raiz se assemelha muito em várias partes do mundo. Por exemplo, o Guilherme (Schwab) toca um didgeridoo — instrumento de sopro dos aborígenes australianos — que é muito parecido com o nosso berrante aqui. A gente quis pegar um repertório que, realmente, tivesse a ver com o que seriam as nossas raízes, as coisas que a gente gosta de tocar”, resume o vocalista Rodrigo “Suricato” Nogueira.Para ele, participar do Versões tem um clima amistoso, pois significa olhar para os outros gêneros musicais sem ver uma separação por estilo. O lado interessante do programa é pegar esses artistas cantando músicas que, normalmente, o público não os veria executando. “Acho maravilhoso esse formato, porque tira o artista da zona de conforto. Então, você se inspirar num universo de outros artistas, tomar conta daquela canção, da letra e trazer isso para dentro de você é muito mais que um programa”, reflete Rodrigo. (Do Estadão Conteúdo)