Publicado 12 de Julho de 2016 - 19h05

Mistress America (Telecine Premium, 22h20, 12 anos), de Noah Baumbach (2015), pode ser definido numa frase: filme gracinha, frase que não é o que parece, pois embute elogio e crítica mistura cujo resumo seria algo como “fofinho”. Ninguém gosta desse tipo de elogio, mas fica impossível fugir dele. Lembram-se de Frances Ha (2012), do mesmo diretor e escrito por ele e pela atriz do filme, Greta Gerwig? Pois a dupla está de volta mais ou menos na mesma vibe, ou seja, esperta e contemporânea e recém-avaliada no Sundance, o festival indie que flerta sem pudores com o mainstream. Com esse DNA e por se tratar de comédia com humor direcionado a público adulto e bem-informado (até culto) seria improvável não estabelecer comparação com Woody Allen — e também pela verborragia, pelas tiradas irônicas, o cuidado com os diálogos e as sacadinhas sagazes. Ele se pretende diferente do que vemos por aí e se estabelecer como produto fora do modelo vigente, mas sem deixar de ser hype. O espectador irá se divertir, mas o filme poderia ser um pouquinho menos descolado.