Publicado 23 de Julho de 2016 - 5h30

Uma ação da Guarda Municipal (GM) na manhã de ontem revoltou moradores de rua que vivem na Praça José Bonifácio, no Largo da Catedral, no Centro de Campinas. O grupo acusa a GM de agir com truculência e de ter usado spray de pimenta durante abordagem. A equipe da GM, que faz a patrulha diária na região central, fez a averiguação do grupo depois de ter recebido uma denúncia anônima pelo telefone 153 com reclamação sobre a sensação de insegurança do local. A moradora de rua Lohanne Valentim, de 40 anos, afirmou que um dos guardas se desentendeu com um garoto que mora na praça e que pouco depois ele teria voltado e abordado pessoas e seus pertences. Ela e outros companheiros estavam revoltados, agrupados ao lado de suas malas e sacolas. “As pouquíssimas coisas que tem aqui não representam nem um terço do que a gente tinha. Foi pura má-fé e abuso de autoridade”, acusa Lohanne. “Aqui ninguém rouba, aqui ninguém trafica. Eles nos tratam como vândalos”. Em nota, a assessoria da GM informou que recebeu denúncia em razão da permanência de um grupo de pessoas e de materiais, como colchões e pedaços de madeira no entorno da Catedral, que dificultaram a passagem de pedestres e até mesmo a abertura de alguns comércios da área. Os guardas solicitaram ao grupo que recolhesse os pertences para que materiais como facas, pedaços de madeira, barras de ferro, fossem apreendidos e descartados. A equipe da GM que realizou a abordagem disse à reportagem que muitos moradores usam o material apreendido para realizar assaltos. Segundo eles, a população fica apreensiva em atravessar a praça. A GM informou que houve resistência de alguns moradores durante abordagem e que foi necessário usar “materiais de contenção”. A comerciante Ketullin Carvalho, de 30 anos, apoiou a ação da guarda. “É mentira. Não houve nenhum abuso de autoridade aqui. E é simples provar, basta pegar as imagens da câmera na esquina”. (AAN)