Publicado 22 de Julho de 2016 - 5h30

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) suspendeu o atendimento dos 240 pacientes com câncer, que seriam tratados hoje e durante a próxima semana, com o medicamento Gálio-67. O produto, utilizado em testes diagnósticos para detectar tumores, infecções e inflamações, faz parte dos 95% radiofármacos que são produzidos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e usados nos hospitais e clínicas do País. O motivo da suspensão é a greve decretada por técnicos e funcionários do órgão, na última segunda-feira.

Seis hospitais estaduais que haviam feito encomendas do insumo para a realização do exame na terça-feira só receberam o material anteontem. Segundo o superintendente do Ipen, José Carlos Bressiani, o órgão atrasou o repasse de oito e dez doses do Flúor-18 — utilizado no diagnóstico de câncer pancreático — para o HC na última terça.

Bressiani afirmou que o motivo da paralisação foi um erro no projeto de lei que definia os reajustes salariais e gratificações de servidores públicos. No texto, que passou pelo Congresso em 2015 e foi aprovado pelo Senado na semana passada, não foi incluído o reajuste e as gratificações para as carreiras de técnico e auxiliar técnico do Ipen. “Estamos mobilizados e estudando um caminho para resolver o problema”, afirmou Bressiani. “Acredito que a falta do medicamento seja muito prejudicial para os pacientes que têm que remarcar as consultas. Muitas são marcadas pelo SUS”, disse.

O Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico especializado em oncologia e hematologia pediátrica, também recebe encomendas do Ipen. (Moara Semeghini/Da Agência Anhanguera)