Publicado 22 de Julho de 2016 - 5h30

Com 12 dias de mobilização dos auditores fiscais da Receita Federal no Aeroporto Internacional de Viracopos, o terminal de cargas já vive uma situação complicada. Há mais de 290 toneladas de mercadorias paradas no trânsito aduaneiro e pelo menos 500 processos de importação sem liberação em canal vermelho. As indústrias da região já sofrem com a situação e há paralisação de linhas de produção. Ontem, os passageiros de voos internacionais voltaram a enfrentar duas horas de demora na retirada das bagagens.

Os servidores começaram na semana passada uma manifestação em todo o País para exigir que o governo do presidente interino Michel Temer cumpra com o acordo firmado em março no governo da presidente afastada Dilma Rousseff e conceda reajuste de 21,3% dividido em quatro anos. Há ainda um bônus de R$ 3 mil. Importadores, representantes do setor de cargas e empresas da região estão preocupados com o quadro no aeroporto com o acúmulo de cargas sem liberação. Eles informaram que respeitam o movimento dos auditores, mas que há um impacto sobre as operações do terminal.

A reportagem apurou que as cargas que precisam da análise física dos auditores (que são parametrizadas em canal vermelho) não estão sendo fiscalizadas. As mercadorias que chegam ao aeroporto e devem seguir para desembaraço em portos secos ou outros terminais (chamadas de carga em trânsito) também estão ficando paradas a espera da verificação dos servidores. Outra prática que afeta o andamento das operações de Viracopos é a checagem de forma minuciosa de todos os documentos na hora do embarque nos caminhões.

As docas em Viracopos têm capacidade para atender 40 veículos no horário de pico. Mas com a operação pente-fino dos auditores estão sendo atendidos no máximo quatro caminhões a cada vez. Dessa forma, muitos veículos ficam parados no estacionamento esperando para entrar nas docas e retirar as mercadorias. Os importadores reclamaram que o único aeroporto no País que tem a operação pente-fino é Viracopos.

Conforme decisão dos auditores em assembleia, a mobilização ocorreria durante dois dias da semana — terça e quinta-feira — e seria uma operação padrão na área de cargas e na checagem da bagagem dos passageiros dos voos internacionais. Mas as empresas informaram que em Campinas a situação é diferente e a lentidão na liberação de mercadorias acontece praticamente todos os dias da semana. Viracopos é o maior aeroporto cargueiro do País. Os importadores afirmaram que o movimento deveria ter isonomia em relação a mobilização realizada em outros aeroportos.

A reportagem apurou que cinco grandes importadores em Viracopos têm pelo menos 300 processos de importação esperando por liberação da Receita Federal. Na região de Campinas, já foram registradas empresas que paralisaram linhas de produção por falta de insumos que estavam no aeroporto. No mercado, já existe uma percepção de que várias empresas vão transferir a chegada de cargas de Viracopos para outros terminais como Cumbica, em Guarulhos. O despacho no terminal da Grande São Paulo está mais rápido do que em Campinas.

Perdas

O diretor-regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Nunes Filho, afirmou que a entidade acompanha de perto a situação em Viracopos e vem dialogando com os auditores fiscais. “Respeitamos a mobilização dos servidores e esperamos por uma solução rápida com o governo. Mas esperamos que as empresas da região não sejam prejudicadas. Estamos analisando o quadro e, se a situação se agravar, vamos buscar medidas que garantam a liberação das cargas”, disse.