Publicado 22 de Julho de 2016 - 5h30

Toda precaução é pouca em tempos quando o terrorismo é uma ameaça real, factível, amedrontadora. Os atentados que vêm sendo executados em todo o mundo chamam a atenção pela peculiaridade de não haver um alvo distinguível, provável. E o Brasil, com a realização da Olimpíada em menos de um mês, tornou-se um dos alvos possíveis de algum gesto tresloucado. Não bastam as medidas normais de precaução, mas torna-se imprescindível um esquema altamente técnico e profissional de segurança contra um inimigo ainda desconhecido.

Diante de um quadro desses, não pode ser considerado exagero o aperfeiçoamento das regras de segurança em aeroportos brasileiros, que agora passam a exigir a inspeção de passageiros também em voos domésticos, resolução da Agência Nacional de Aviação (Anac), que entrou em vigor nesta semana. O que deveria ser um serviço prestado aos usuários dos terminais e um crédito de garantia da integridade da sociedade tornou-se um grande aborrecimento por conta da falta de um planejamento adequado, e um método para implantação da nova rotina. Em vários aeroportos, o que se viu foi muita confusão, filas enormes, voos atrasados ou cancelados, em caos que não se justifica.

Tudo decorreu da falta de bom-senso na implantação da medida. O sindicato dos aeroviários alegou que os funcionários não foram notificados a tempo de se prepararem para a nova rotina, e em alguns aeroportos como Congonhas, Guarulhos, Juscelino Kubitschek, em Brasília, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, não havia sequer equipamentos adequados de raio X para o controle das bagagens. Foram vistas concentrações de passageiros submetidos a atrasos e desgaste emocional, evitável se tudo acontecesse com um mínimo de planejamento e competência. No Aeroporto Internacional de Campinas, houve poucos problemas, até porque se dispõe dos equipamentos necessários — 12 pares de raio X e scanners, oito para o embarque doméstico e quatro para o internacional, que podem ser realocados de acordo com a necessidade dos terminais, segundo a administração —, e houve apenas lentidão no atendimento em alguns horários (Correio Popular, 19/7, A8).

Se é preciso incorporar novos sistemas de atendimento, é inevitável avaliar adequadamente a estrutura existente e traçar um plano de implantação, que considere as possíveis dificuldades. Fazer mudanças desse porte, em pleno período de férias escolares e às vésperas da Olimpíada, foi certamente uma demonstração de falta de planejamento e de respeito aos usuários dos terminais.