Publicado 21 de Julho de 2016 - 5h30

O vereador Paulo Galtério (PSB), que foi retido no Residencial Sírius anteontem, enfrentou uma situação semelhante em 2014, quando foi expulso de um condomínio no Parque Valença, em Campinas, pelos moradores. Ele é proprietário de um apartamento no residencial e exercia a função de síndico, mas saiu, segundo moradores, deixando as contas zeradas e uma série de faturas em atraso. Ao ser destituído, o político decidiu recorrer à Justiça para ter o cargo de síndico de volta. Também entrou com uma ação contra o condomínio cobrando os honorários de um advogado, que os condôminos não sabiam que existia, e que, atualmente, exerce a função de chefe de gabinete do político.

A última reunião no condomínio Parque Valença foi tensa, segundo relataram moradores que preferiram não se identificar por medo de represália. A polícia precisou ser acionada e foi registrado um boletim de ocorrência. “Saiu daqui escorraçado. Queria ser o síndico de qualquer jeito”, afirmou um condômino. Ele já havia sido síndico por duas vezes do local e já se preparava para a terceira gestão, sem a realização de eleição. “Não sabia o que tinha sido pago e o que não tinha. Quando pedíamos prestação de contas, prometia e nunca trazia. Não tinha livro ata. Sempre tinha briga nas reuniões de condomínio porque os moradores cobravam. Pedimos a destituição dele e ele não aceitava”, contou.

Segundo os moradores, insatisfeito com a saída, segundo relataram, Galtério entrou com uma ação contra o condomínio cobrando os honorários advocatícios de Alex Zanco, nomeado seu chefe de gabinete em janeiro deste ano. Galtério também teria entrado com uma ação requerendo o direito de voltar a ser síndico. “Quando foi embora, as contas atrasadas começaram a surgir e deixou o condomínio sem recursos”, disse outro condômino.

Débitos

Anteontem, Galtério foi retido por moradores do Condomínio Campo das Orquídeas, no Residencial Sirius, depois da energia ser cortada por falta de pagamento. O desligamento ocorreu na sexta-feira e, segundo os moradores, o religamento foi feito na terça-feira à tarde. De acordo com os condôminos, havia mais débitos e eles exigiam que Galtério apresentasse um relatório com receitas e despesas e só o deixaram ir embora após quase quatro horas de questionamentos. “O porteiro passou a noite toda no escuro porque vocês deixaram cortar a energia”, disse um morador. “Você tem que dar conta do dinheiro do povo. Acha que o povo é besta, mas vai ter que dar conta de tudo. Renuncia, sai do cargo. Quem manda aqui são os moradores”, afirmou outro.

Galtério disse que estava no Campo das Orquídeas não como vereador, mas como advogado da empresa Thay Serviços de Apoio em Edifícios Ltda, registrada em nome de Ana Caroline Galtério, Thayara Patrícia Galtério. Na ocasião, Galtério informou que a empresa pertencia a sua mulher. Ele afirmou que a energia foi cortada por falha da CPFL Paulista. “Sou advogado do condomínio e foi erro de corte da CPFL. Cortaram e não deram o aviso de corte. Vou entrar com processo contra a empresa”. Ele disse que existia apenas a conta de junho em atraso. A CPFL Paulista foi procurada e informou que o cliente estava inadimplente e recebeu reaviso de cobrança, que foi emitido na conta posterior. A distribuidora esclareceu ainda que os procedimentos de corte e prazos regulados foram cumpridos.

Também no Residencial Sírius, o Condomínio A4, administrado pela Thay Serviços de Apoio em Edifícios Ltda, enfrentou corte de energia na última segunda-feira pela falta de pagamento de três contas, segundo informaram moradores. O religamento ocorreu na própria segunda-feira. O Correio esteve no local e alguns minutos depois um morador apareceu exigindo a saída da reportagem. “O Doutor Paulo e nem a síndica autorizaram vocês a entrarem aqui”, disse. Morador do local, Rafael Fonseca disse que o condomínio vem acumulando dívidas e reclamou do aumento da taxa condominial de R$ 75 para R$ 115, desde o começo do ano. “É um aumento abusivo”, disse.

O vereador Paulo Galtério foi questionado sobre as informações dos moradores do Parque Valença e do Residencial Sírius, mas não respondeu e voltou a ameaçar a reportagem com processo. “Vamos conversar no Fórum, nós dois. Vou te processar e lá no Fórum vou passar todas as informações que você (repórter) quiser. Acho que você não se colocou no seu lugar. Você não tira o meu sossego e agora eu acho que eu vou tirar o seu. É só uma questão de tempo. Em dois minutos faço uma petição e te processo”, disse ele. Alex Zanco também foi procurado, mas não retornou o contato até o fechamento desta edição.