Publicado 20 de Julho de 2016 - 5h30

O povo brasileiro, mais do que o normal, é instado a se informar detalhadamente sobre a situação econômica do País, tantos os revezes que obrigam a decisões que envolvem a preservação de patrimônio e recursos próprios. Desde os planos ortodoxos e heterodoxos da segunda metade do século passado, o noticiário econômico ocupou espaço privilegiado na mídia, reflexo da necessidade de acompanhar as variações cotidianas que transformaram a maneira de encarar a realidade nacional.

O entendimento e a correta interpretação dos fenômenos econômicos exigem uma boa dose de experiência e intuição, aliados a informações privilegiadas que colocam os analistas em condições de estabelecer relações de causa e efeito. Para os leigos, prevalecem as opiniões e sensações que afetam diretamente o bolso. Mesmo sem conhecer os condicionamentos técnicos que definem os índices de inflação, todos sabem o quanto isso afeta a aplicação do dinheiro.

Em tempos de crise, acentua-se a preocupação com os ganhos pessoais, familiares e de empresas. É preciso resguardar-se para evitar surpresas de curto prazo, estendendo-se a períodos mais longos quando se trata de empreendimentos. Em pesquisa divulgada na semana passada pelo Instituto Datafolha, um dado importante foi levantado junto à população em relação à economia e às mobilizações políticas. Para os entrevistados, o período que levou ao afastamento da presidente Dilma Rousseff, ainda que transitório, já trouxe uma expectativa positiva: para 60%, a inflação e o desemprego vão aumentar, sendo que a percepção sobre a situação econômica indica que os tempos serão mais difíceis. Mas, em contraponto, a expectativa positiva em relação à economia cresceu: o Índice Datafolha de Confiança (IDC) registrou uma alta de 11 pontos em relação a fevereiro. Essa é a melhor pontuação desde o final de 2014, quando chegou a 121 pontos. Esse foi o terceiro levantamento consecutivo em que o índice apresentou melhora.

Esse sopro de otimismo provavelmente decorre da sensação do fim da era do petismo e da confiança do mercado na qualidade da equipe econômica de Michel Temer. O próprio FMI melhora as previsões para a economia brasileira e prevê crescimento em 2017. Se esses dados não são determinantes para mitigar a crise atual, ao menos representam uma trégua para que as medidas impopulares necessárias sejam adotadas sem medo, sem se render ao apelo cômodo do populismo de efeitos nefastos.