Publicado 19 de Julho de 2016 - 5h30

Uma semana depois que um grupo de amigos teve o acesso barrado ao cinema do Shopping Parque das Bandeiras, em Campinas, por estar com lanches, refrigerante e chocolates comprados fora do estabelecimento, uma nova confusão foi registrada na noite do último sábado quando sete pessoas foram orientadas a descartar refrigerantes e milk shakes e até mesmo trocar o copo do refrigerante por uma garrafa plástica para poderem entrar. A situação no Cine Araújo tem chamado a atenção, porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) garantiu no mês passado o ingresso de consumidores em cinemas portando alimentos adquiridos em outros estabelecimentos.

O episódio deste fim de semana foi gravado pelo celular da filha adolescente da analista de atendimento Carolina Bernardo, de 35 anos. Na imagem, é possível assistir a adolescente e dois primos questionando o funcionário do cinema sobre a medida. Segundo Carolina, os jovens estavam com copos de refrigerante e outros dois casais com milk shake e todos foram impedidos de entrar com as bebidas, e tiveram o dinheiro dos ingressos devolvidos. “Nada de cinema e foram extremamente grossos”, lamenta a analista de atendimento, que fez questão de acionar a Polícia Militar para elaboração de boletim de ocorrência de prática abusiva. “Só não fui no Procon hoje (ontem) porque estou com gripe, mas vou no Procon fazer denúncia. A lei tem que ser cumprida. Fiz B.O., já entrei em contato com advogado e vou entrar com processo, porque a gente já paga tão caro para ir ao cinema e comer fora de casa e ainda tem que passar por isso”, completa.

Procurado pela reportagem, o advogado do Cine Araújo, Francisco Bromati Neto, afirmou que o problema de sábado estava no recipiente de papel sem vedação no refrigerante, o que pode causar derramamento. “Se conseguissem uma garrafa transparente poderiam entrar”, comentou o representante do estabelecimento, que alegou serem aceitos alimentos comprados em outros lugares desde que sejam similares aos comercializados no cinema — refrigerante, pipoca, balas, chocolates e até barrinha de cereal.

Questionado sobre a rigidez nas restrições de acesso, Bromati Neto garante que o Cine Araújo está “em consonância com o Procon e com o Tribunal de Justiça de São Paulo e respeitando seus clientes. A gente estabeleceu essa norma em 2010, porque gerava reclamação de desentendimento entre os próprios clientes pelo consumo de alimentos inapropriados para a sala de cinema, que não é extensão da praça de alimentação. Se entra com produto que causa odor excessivo ou que engordure a poltrona, outro cliente reclama”, afirmou.

Já a assessoria de imprensa do Parque das Bandeiras informou que apura os fatos e que solicitará à operadora do cinema que todas as medidas administrativas cabíveis sejam tomadas, esclarecendo que orientou o lojista sobre o fato ocorrido anteriormente e respeita todas as normas estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor, bem como preza pela qualidade no atendimento ao cliente.