Publicado 13 de Julho de 2016 - 5h30

Após 20 horas, os cerca de 1,2 mil presos encerraram a rebelião na P-2 do Complexo Penitenciário Campinas/Hortolândia. Os três reféns foram liberados sem ferimentos. Apesar de o grupo fazer uma série de reivindicações, entre elas a troca dos diretores-geral e de disciplina da unidade, o fim da superlotação, da comida precária e dos maus-tratos contra familiares nas visitas, não houve acordo, segundo João Rinaldo Machado, presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo. “O juiz-corregedor (Bruno Paiva Garcia) chegou e determinou um prazo de meia hora para os presos colocarem fim na rebelião. Eles obedeceram”, contou.

Segundo sindicalistas e funcionários dos seis pavilhões que integram a P-2 e que têm um total de 1.917 presos, quatro foram destruídos. Os rebelados colocaram fogos em colchões e quebraram portas e paredes das unidades. A rebelião começou por volta das 17h de anteontem nos pavilhões 3, 4 e 6. O 5 estava fechado, mas acabou sendo arrombado pelos presos. Os de números 1 e 2 não participaram. Familiares de presos passaram a noite em vigília, tanto no portão de acesso como em um barranco na lateral do presídio, com vistas para os pavilhões. Ontem pela manhã houve momentos tensos de revolta por parte dos familiares, que queriam informações dos presos e também a presença de um representante dos Direitos Humanos. Eles chegaram a parar o trânsito na avenida em frente ao presídio por alguns minutos e depois bloquearam o acesso ao complexo. Representantes da comissão dos Diretos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) chegaram no presídio por volta das 10h. O Grupo de Intervenção Rápida (GIR) da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) acompanhou a rebelião do lado de fora e no início da manhã de ontem retomou as negociações. O fim da rebelião foi anunciado por volta das 12h30 pelo juiz-corregedor Bruno Paiva Garcia, quando deixava o complexo. “Acabou tudo. Os dois reféns foram liberados e todos estão bem”, disse. A libertação do primeiro agente aconteceu por volta das 9h. Como os presos estavam sem refeição e água desde a tarde de anteontem, uma das exigências para a liberação de reféns era a entrega de água. O pedido foi aceito e um agente foi libertado. Em seguida, os rebelados passaram a exigir comida para liberarem um segundo agente. Cerca de meia hora antes do fim do protesto, o GIR suspeitou que os rebelados faziam buracos nos pavilhões e se preparavam para fazer um “cavalo doido” — saída de um grande número de presos de uma só vez —, e se preparou para invadir a P-2, mas a medida foi suspensa com o anúncio do fim da rebelião. (Alenita Ramirez/Da Agência Anhanguera)