Publicado 12 de Julho de 2016 - 5h30

O grande fato político desta semana é o processo de eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados, depois da renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Como é de praxe em Brasília, não ficam muito claras as mudanças protagonizadas pelo governo federal e parlamentares, sempre envolvidos em intrincados jogos que fogem à percepção de quem não acompanha profundamente a rotina determinada nos bastidores do poder. Longe de ser desistência diante de um aparente inexorável processo de cassação, Cunha ainda tenta os últimos movimentos para se livrar do jugo de seus pares que votarão o seu destino político.

Aberta essa lacuna, é o momento de se atentar para qual será a nova composição do Congresso, com a ocupação da segunda cadeira na linha de sucessão da Presidência. A passagem desastrosa de Waldir Maranhão (PP-MA) serviu para que se preste atenção nesse processo de seleção, afinal, ninguém deseja reeditar o erro de eleger outro Severino Cavalcanti. Há a expectativa de todos os lados: o presidente interino Michel Temer depende de manter uma liderança confiável na Câmara para lograr o agendamento de votação das medidas de ajuste necessárias para a consecução de seu plano econômico; a presidente Dilma Rousseff sabe que o seu destino está nas mãos do Senado Federal, mas existem ainda muitas pendências em sua luta pela sobrevivência política, que dependem de ter alguma sustentação na Câmara; o Congresso como um todo tem a oportunidade de reconstruir parte da sua imagem ruída com tantos escândalos, elegendo um nome de consenso que sinalize para a sociedade, e os eleitores em particular, sua disposição em promover mudanças.

Mas, se os sinais não são claros, as perspectivas não são animadoras. Sujeita a muitas variações e surpresas, a eleição prevista para amanhã começou a semana com sete candidatos, quatro dos quais apresentam de antemão pendências com a Justiça ou estão no alvo da Lava Jato. Nenhuma surpresa, portanto, sabendo-se que o futuro presidente da Câmara Federal sairá de um grupo que representa o pior da sociedade brasileira e tem dado mostras de um falso corporativismo, via de regra pautado por interesses particulares ou esquemas de corrupção. De sobra, ainda tem os interesses escusos do próprio Cunha, que espera garantir um mínimo de compadrio com seus pares, para ao menos dificultar o caminho do cadafalso político. Enquanto isso, os interesses nacionais verdadeiros esperam o momento de protagonismo e o início da verdadeira faxina cívica.