Publicado 07 de Julho de 2016 - 5h30

O Brasil fechou o primeiro semestre de 2016 com uma economia em frangalhos, sufocada pelo aumento do desemprego, por queda nas vendas, pela retração do Produto Interno Bruto (PIB) e por uma profunda depressão dos agentes produtivos, reflexo dos anos de desgoverno da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). A irresponsabilidade da petista e de seus auxiliares jogou o País num abismo, metáfora de uma recessão profunda e de impacto severo no cotidiano dos brasileiros. O fundo do poço parece ter sido efetivamente avistado por todos nós.

Alguns números reforçam esse cenário de terra arrasada: quase 12 milhões de desempregados; 1.098 empresas quebradas de janeiro a junho sob o impacto da crise; pior semestre para venda de veículos novos em dez anos, e outros dados que têm alimentado o noticiário econômico.

Mas, nem tudo é catástrofe no horizonte deste segundo semestre que acaba de começar. Projeções de analistas e de boletins especializados apontam para uma melhora dos números e do humor do mercado. Documento divulgado esta semana pelo Banco Central apontou para um alívio na retração do PIB, indicativo de que a economia dá seus primeiros sinais de reação. Outro termômetro positivo é a sondagem que a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) faz sistematicamente. A entidade observou que a confiança de micro e pequenos empresários dos segmentos do varejo e de serviços cresceu entre maio e junho. Trata-se de um otimismo ainda calculado, mas que aponta para uma disposição dos empresários de assumir riscos para ampliar seus negócios e contratar mais funcionários. Num cenário de desesperança que o País mergulhou, são sinais de novos tempos, de um desejo de ruptura da mesmice econômica, do enredo arrastado e cíclico formado pelo tripé da falta de clientes, queda de receitas e demissões.

A equipe econômica do governo Temer, aliás, tem sido responsável por parte dessa mudança de humor. A confiança do setor produtivo está voltando aos poucos, pois os empresários enxergam na equipe do ministro Henrique Meirelles uma competência legítima para fazer essa travessia em mar revolto, além, é claro, de observar a adoção de medidas saneadoras de equilíbrio fiscal, que estavam fora da agenda de Dilma.

Ainda é cedo para cravar uma mudança significativa na economia até o final do ano, mas é possível afirmar que a esperança está de volta e que há um ambiente mais positivo, o que pode pavimentar um caminho de retomada do crescimento econômico em 2017. Até lá, sem reviravolta na política, tudo tende a entrar nos eixos.