Publicado 18 de Julho de 2016 - 22h18

Por France Press

Cranston como Robert Mazur em 'Conexão Escobar': filme explora o percurso emocional do agente, que manteve contato próximo com criminosos

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Cranston como Robert Mazur em 'Conexão Escobar': filme explora o percurso emocional do agente, que manteve contato próximo com criminosos

Depois de conquistar o mundo como um traficante de metanfetamina, Bryan Cranston agora está do lado certo da lei: em 'Conexão Escobar', ele interpreta um agente que desmantela as finanças de Pablo Escobar (1949-1993) em Miami.

'Conexão Escobar', com Cranston e John Leguizamo como dois policiais infiltrados e Benjamin Bratt como um narcotraficante em Miami vinculado a Escobar, tem estreia prevista para 11 de agosto no Brasil.

O filme, dirigido por Brad Furman, é o mais recente de uma série de produções sobre o narcotraficante colombiano, que reinou no planeta nos anos 1980 graças a seu domínio do mercado da cocaína.

Como aconteceu com Al Capone ao longo do século passado, a indústria do cinema e da TV está transformando lentamente Escobar em uma lenda. O colombiano foi morto a tiros pela polícia de seu país em 1993.

Os exemplos mais populares até agora talvez sejam a série colombiana 'Pablo Escobar: El Patrón del Mar', a série do Netflix 'Narcos', com o brasileiro Wagner Moura como protagonista, e o filme 'Escobar, Paraíso Perdido', com Benicio del Toro.

“Pablo Escobar é lendário”, disse Cranston à AFP em um hotel de Miami, durante um evento promocional do filme. “Ele é uma figura icônica e existe algo de tabu sobre ele. Ele é maior do que a vida, trouxe muito medo e desconfiança de um lado, e ainda assim fez algumas coisas muito boas em seu país. Assim, muitas pessoas estavam em conflito sobre como se sentiam sobre ele, mas no final sua maldade superou sua bondade e isto serve para boas histórias”.

Cranston tem conhecimento de causa. Ele se tornou um astro mundial e venceu quatro prêmios Emmy graças ao papel de Walter White, o professor de química que vira produtor e traficante de metanfetamina na série 'Breaking Bad', que chegou ao fim em 2013, aclamada por público e crítica.

“Todos amam histórias de gângster”, disse Cranston. “São histórias onde alguém vem do nada e, graças a sua força ou inteligência ou o que for necessário, chega ao poder. É uma espécie de sonho americano”.

Escobar como personagem não aparece fisicamente no longa. Ele é um fantasma, um nome que se menciona com medo, o bicho-papão que todos temem. O agente federal Robert Mazur, interpretado por Cranston, entra em contato com Roberto Alcaíno (Benjamin Bratt), um auxiliar de Escobar em Miami que precisa lavar a gigantesca quantidade de dinheiro arrecadada por seu chefe.

O agente Mazur, que com métodos bastante rudimentares consegue virar um expert em finanças clandestinas, consegue se infiltrar na equipe de Escobar nos anos 1980 e lavar milhões de dólares da cocaína.

Uma história real

'Conexão Escobar' é baseado em uma história real, publicada em 2009 pelo verdadeiro Robert Mazur em um livro de memórias chamado 'O Infiltrado', lançado no Brasil pela editora Nossa Cultura.

O trabalho de Mazur e seus colegas provocou o indiciamento de mais de 100 narcotraficantes e banqueiros corruptos e provocou o colapso, em 1991, do Bank of Credit and Commerce International, uma das instituições que mais lavava dinheiro no mundo.

Além do aspecto histórico, o longa-metragem explora o percurso emocional de um agente infiltrado que precisa conquistar a confiança dos criminosos e, ao mesmo tempo, evitar um grande envolvimento com eles.

“O que atrai neste filme é que a sofisticação dos personagens está de acordo com o que sentimos sobre as pessoas”, disse Cranston. Em um momento, o agente Mazur precisa decidir se entrega ou não um criminoso que virou um grande amigo.

Este amigo é Roberto Alcaíno, um simpático narcotraficante interpretado por Benjamin Bratt, conhecido pelo papel de Rey Curtis na série 'Law & Order'. “Ele é a definição fácil do cara mau”, afirmou Bratt à AFP.

“Mas vamos dar uma olhada nele. Ele é o reflexo no espelho do protagonista do filme. Ele é um amigo decente e leal, um homem de família confiável”. “Mas no fim ele tem que cumprir seu dever e fazer a coisa certa, mesmo que isto provoque algum incômodo”, conclui Bryan Cranston. 

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