Publicado 24 de Julho de 2016 - 6h30

Por Bruno Bacchetti

Com a abertura do prazo para as convenções partidárias, na última quarta-feira, várias coligações envolvendo partidos rivais em âmbito federal estão sendo firmadas em cidades da região de Campinas. A situação confunde ainda mais a cabeça do eleitorado, que não sabe quais as bandeiras cada legenda defende. A Justiça Eleitoral determinou que as convenções para homologar as coligações aconteçam até o dia 5 de agosto. Até lá são esperadas muitas surpresas e alianças improváveis.

Incoerências

Um exemplo desse tipo de aliança improvável aconteceu em Sumaré. A tucana Cristina Carrara recebeu apoio do PDT, um dos poucos partidos que foram contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Em Santa Bárbara d’Oeste, o PT vai compor a coligação do atual prefeito, o ex-tucano Denis Andia (PV). Já em Americana, o PT cogitou até fazer parte da chapa de Omar Najar (PMDB), que tem o PSDB como vice, mas vai apoiar Erich Hetzl Jr. (PDT).

FRASE

"Vamos conversar com órgãos de controle, com o ministro da Justiça e avaliar em conjunto se a lei está adequada ou se ela precisa melhorar." - Do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre a possibilidade de endurecer a Lei Antiterrorismo.

Incoerência

Falando em PT, o partido surpreendeu ao desistir da candidatura própria em Paulínia. O vereador Custódio Campos (PT) colocou o nome à disposição, mas a legenda optou em apoiar Adilson Palito (SD). O deputado federal Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, é um dos críticos mais ferrenhos do governo Dilma. Em Campinas, a coligação do prefeito Jonas Donizette (PSB) também conta com rivais tradicionais.

Cadê a ideologia?

Esse tipo de composição mostra que os partidos estão cada vez mais distantes da ideologia político-partidária e preocupados em incorporar aliados a fim de propiciar ganhos e vantagens políticas. É um dos motivos que afastam cada vez mais a população da política, insatisfeita com a incoerência da classe.

Afastamento

Aliás, essa foi uma das principais críticas dirigidas ao PT quando seus filiados históricos decidiram abandonar o barco e sair em busca de outros projetos políticos, o que ocorreu bem antes da crise no governo Dilma. A petista, aliás, foi vítima de “aliados” que não tinham qualquer comprometimento e afinidade com sua administração.

Tá explicado

A justificativa para as alianças de diferentes ideologias é simples. Agregar o maior número possível de partidos na mesma coligação permite maior exposição na televisão e mais chances para vereadores. Isso porque as coligações para proporcionais só podem ser formadas por partidos que compõem a mesma aliança majoritária.

Vale muito

Com o período de campanha mais curto neste ano, a propaganda eleitoral na televisão ganhou ainda mais força. Por isso, cada minuto a mais de exposição é disputada pelos partidos. A propaganda na TV acontece entre os dias 26 de agosto e 29 de setembro. Para se ter ideia da importância das alianças, o prefeito Jonas Donizette (PSB) deve ficar com cerca de 60% da propaganda, graças à coligação formada.

Em análise

A composição da disputa pela prefeitura de Paulínia continua. O prefeito José Pavan Jr. (PSDB) tem fé de que poderá ser candidato. Mas algumas siglas têm dúvidas sobre a viabilidade jurídica. É o caso do PSB. Pavan deixou o núcleo peessebista recentemente para integrar o bloco tucano. A dúvida sobre um eventual apoio a Pavan, segundo o deputado federal Luiz Lauro filho (PSDB) não tem relação com a saída dele do partido. Segundo o tucano, várias consultas foram feitas sobre a legalidade da candidatura e todas demostraram que ele estará impedido. O PSB avalia o melhor caminho.

Escrito por:

Bruno Bacchetti