Publicado 20 de Julho de 2016 - 22h51

Por Milene Moreto

Se já não bastassem os problemas nas coligações que redesenham as disputas em Campinas, um outro assunto, um pouco mais grave, assombra 11 partidos: uma multa da Justiça Eleitoral por propaganda irregular em 2008, aplicada à coligação do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT), no valor de R$ 200 mil. A dívida pode impedir partidos de lançarem seus candidatos se não for quitada nos próximos dias. O assunto gerou estranhamento entre os dirigentes.

Majoritária

Hélio, naquele ano, se uniu a 11 siglas. A multa, no entanto, foi aplicada à majoritária, mas todos se dispuseram a pagar. Acontece que muitos não querem nem saber de gastar dinheiro com isso. Numa reunião realizada na semana passada, não chegaram a um acordo. Todo o dinheiro que é depositado atualmente na conta dos partidos fica sequestrado pela Justiça. O assunto tem tirado o sono dos presidentes das legendas que tentam achar uma solução.

FRASE

"Nós estamos preocupados com a situação, mas entendemos que a multa é da coligação majoritária. É um problema que precisa ser resolvido." - Da presidente do PCdoB em Campinas, Marcia Quintanilha, sobre a multa aplicada à coligação do Dr. Hélio em 2008.

Dor de cabeça

Segundo Arnaldo Salvetti, presidente interino do PMDB, a multa é mais uma dor de cabeça. Para o peemedebista, o juiz intimou todos os partidos que devem pagar o valor total ou parcelar a multa até sexta-feira (22). “Tem vários partidos sendo intimados, eu ainda não fui. Sei que o PPS e o DEM já foram”, disse.

Má-fé

O juiz deu prazo de cinco dias para a situação ser regularizada, e, se a coligação da época não se manifestar, segundo Salvetti, as legendas correm o risco de não conseguir registrar suas chapas.

Olho no futuro

Enquanto ainda decide quem será o pré-candidato a vice do prefeito Jonas Donizette (PSB), o PSDB já trabalha com a cabeça em 2020. O presidente do diretório do partido em Campinas, Beto Cavallaro, garantiu que o PSDB está focado somente nesta eleição de outubro, mas não é bem assim.

Depois...

Cavallaro deixou escapar que a legenda terá candidato próprio daqui a quatro anos, até porque abriram mão de concorrer este ano com esse objetivo e esperam total apoio do PSB quando chegar o momento. “Nosso nome em 2020 é o deputado Carlos Sampaio”, cravou Cavallaro.

De novo?

Resta saber se Carlos Sampaio vai se interessar em concorrer mais uma vez à Prefeitura de Campinas. O deputado disputou a cadeira do Palácio dos Jequitibás em três oportunidades (2000, 2004 e 2008) e não conseguiu se eleger em nenhuma delas, sendo derrotado por Toninho e duas vezes por Hélio. Sampaio se firmou como um dos principais nomes nacionais do PSDB, e pode optar por seguir sua carreira política em Brasília.

Senado

Seus aliados dizem que o objetivo do tucano neste momento é disputar uma vaga no Senado. Antes disso, no ano que vem, tem quem eleve seu nome para a nova disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.

Pagou o pato

O empresário Laodse de Abreu Duarte renunciou nesta quarta-feira ao cargo de diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele foi apontado como o maior devedor da União. A Fiesp informou que o empresário contesta a dívida na Justiça e não desempenhava nenhuma função remunerada na entidade. Comandada por Paulo Skaf, que concorreu no último pleito ao governo do Estado de São Paulo e engrossou o coro pró-impeachment, a Fiesp informou que não fará pré-julgamento do caso.

COLABOROU BRUNO BACCHETTI/AAN

Escrito por:

Milene Moreto