Publicado 19 de Julho de 2016 - 22h49

Por Milene Moreto

Um grupo de 31 professores da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp está divulgando por redes sociais uma carta aberta de repúdio a uma homenagem feita pelo Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp (Caism) ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSC), filho do também deputado Jair Bolsonaro (PSC). Na homenagem, o superintendente do hospital, Luís Otávio Sarian, aparece em fotos feitas no Congresso Nacional ao lado de parlamentares como Bolsonaro filho e Tiririca.

Professores reagem

Junto às imagens, o hospital publica mensagem de agradecimento a Eduardo Bolsonaro por sua atuação na liberação de emenda parlamentar que destinou recursos ao Caism. Na carta, os professores criticam o uso de interesses políticos e emendas para financiar entidades como o Caism e identificam contradição entre a homenagem e a falta de apoio de Bolsonaro a causas ligadas às mulheres, como o combate à violência e desigualdade.

FRASE

"O partido tem uma composição construída com o prefeito Jonas e isso não muda. Nós estamos no governo e estamos fechando com o prefeito." - Arnaldo Salvetti, presidente interino do PMDB de Campinas

Carta

Segundo o documento, o homenageado teria apoiado, por exemplo, seu pai quando ele declarou em Brasília que não estupraria a deputada Maria do Rosário, militante de defesa dos direitos da mulher, apenas “por ela não merecer”.

Torturador

Outra polêmica que envolve o lado político da família Bolsonaro remete ao dia em que o deputado pai afirmou, na sessão que aprovou a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, que seu voto era em homenagem ao coronel Brilhante Ustra, conhecido por ter realizado sessão de tortura contra a presidente afastada. “Ustra foi um torturador famoso pela crueldade, notadamente contra mulheres, inclusive grávidas, e crianças”, diz o texto.

Oportunidades

“O sucesso do seu trabalho como hospital depende também da mudança de determinantes sociais do processo saúde-doença das mulheres, o que significa dizer que depende da luta das mulheres contra a violência, por igualdade de salários, por carteira assinada e por direitos trabalhistas. Direitos que a família Bolsonaro não defendeu nas oportunidades que teve”, diz a carta.

PMDB

A convenção do PMDB de Campinas, que seria realizada hoje para definir os rumos do partido nas eleições de outubro, foi adiada para a próxima semana. Oficialmente, a informação é de que ainda é preciso consolidar os nomes dos candidatos a vereador. Nos bastidores, no entanto, há relatos de que o motivo estaria ligado a um impasse sobre o apoio no pleito principal, para eleição do cargo de prefeito.

Apoio

Uma ala do partido defende que a legenda mantenha acordo para apoiar a reeleição de Jonas Donizette (PSB), que inclusive já anunciou que conta com o PMDB em seu leque de alianças. Do outro lado, alguns membros do partido propõem adesão à candidatura de opósição do vereador Artur Orsi (PSD). A convenção deve ocorrer junto com a do DEM, que formará chapa com o PMDB.

A Fiesp e o pato

A direção da Fiesp demorou, mas distribuiu ontem, com um dia de atraso, nota com posicionamento oficial sobre as dívidas de R$ 6,9 bilhões com a União contraídas por um de seus diretores, o empresário Laodse de Abreu Duarte.

Diz a nota: “A Fiesp tem 2 mil diretores e conselheiros. Sua participação é exclusivamente de caráter institucional, sem tratar jamais de temas particulares ou empresariais. Assim, a Fiesp não tem qualquer vínculo ou responsabilidade sobre questões pessoais, profissionais ou empresariais de seus diretores.”

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Milene Moreto