Publicado 25 de Julho de 2016 - 20h19

Por Pe. Victor Silva Almeida Filho

O título desta crônica não é uma afirmação de cunho particular. Não se trata de uma tese subjetiva ou de uma proposição teológica pessoal, mas é assunto pacífico de toda Teologia cristã. O próprio apóstolo Paulo mostra a seus contemporâneos, como o Deus de Jesus Cristo quer ser conhecido e reconhecido: “anunciamos  Cris-to crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos.” (conf. 1Cor1, 23)

Com toda certeza Paulo está convicto desta “loucura” que chega a tal ponto de não abrir mão dela. Antes, valoriza-a mais para que os judeu-cristãos de Corinto, pudessem encontrar a Deus; buscá-lo e reconhecê-lo nas situações de fraqueza vividas junto aos seus: “é na fraqueza que a força manifesta seu poder. Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. E é por isso que eu me alegro de minhas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois, quando sou fraco, é então que sou forte.” (conf. 2Cor9, 9-10).

Hoje, como ontem, o Evangelho, por seu próprio conteúdo, continua a ser uma loucura aos olhos do mundo, pois o Deus nele anunciado, optou solidariamente pela fraqueza para si mesmo, para seu Filho e para os seus. Essa escolha, num primeiro momento pode parecer sem consequências, mas obriga-nos a não mais envolver a Deus em nossas guerras. Essa opção divina há de ser encarada como realidade original, como contestação radical das relações políticas, econômicas, sociais e até religiosas; em muitos casos apoiadas em associações de força e domínio.

O Messias de Deus pode, sim, ser encontrado, mas muitos o procuram só onde lhes interessa, e não o acham. Ele pode ser encontrado e há quem o encontre sem submetê-lo a condição alguma. Esse encontro pode não acontecer num contexto de poder, grandeza, prestígio, milagres e outras manifestações espetaculares, mas em situações diametralmente opostas. Essa opção, como afirmou Bento XVI em Aparecida: “a opção pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós para nos enriquecer com a sua pobreza.” (cf. 2Cor 8,9).

Como entender ainda hoje tantas teologias de deturpam essa revelação da fragilidade de Deus seja por meio de discursos oficiais, textos litúrgicos ou cânticos em que se ressaltam apenas a onipotência como a principal virtude de Deus? Tais afirmações causam escândalo, no sentido bíblico da palavra e pode ocasionar barreiras à fé. Que tipo de acontecimento seria necessário para que os cristãos confessem sem rodeios o Deus que optou pela fraqueza, o Deus cujo poder se revela na fraqueza?

Escrito por:

Pe. Victor Silva Almeida Filho